Prisão perpétua para líbio que matou três pessoas em ataque no Reino Unido

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Fotografia fornecida pelo serviço de segurança britânico em 11 de janeiro de 2021 de Khairi Saadallah após sua prisão

Um refugiado líbio de 26 anos, que em 20 de junho matou três pessoas em um ataque com faca na localidade inglesa de Reading, a oeste de Londres, foi condenado à prisão perpétua nesta segunda-feira (11), informou a Justiça.

Em uma audiência em 11 de novembro, Khairi Saadallah admitiu todas as três acusações de assassinato e as outras três acusações de tentativa de homicídio.

Na opinião do juiz Nigel Sweeney, o ataque, perpetrado em um parque da cidade de 200.000 habitantes em um dia de verão, foi tão "rápido, cruel e brutal" que nenhuma das três vítimas teve chance de escapar.

O ataque não foi reivindicado por nenhuma organização.

O magistrado rejeitou o argumento da defesa de que Saadallah, que durante o ataque gritou "Allah akbar" (Deus é grande), não foi motivado por terrorismo e que sofria de um distúrbio psicológico no momento dos assassinatos.

Ele estimou que a motivação do acusado era defender "uma causa política, religiosa ou ideológica".

No banco dos réus, o acusado não demonstrou qualquer emoção.

"Para nós, familiares, foi devastador perder nosso querido filho, irmão e tio. Sabemos que nossas vidas e as vidas de todos aqueles que conheceram e amaram David nunca serão as mesmas", declarou à rede BBC Andrew Wails, irmão de uma das vítimas, David Walis, na entrada do tribunal.

"Saadallah é um jihadista convicto e pretendia matar o máximo de pessoas possível nesta ensolarada tarde de junho", reagiu a chefe dos serviços de contraterrorismo do sudeste, Kath Barnes, enfatizando a preparação meticulosa do ataque.

Segundo fontes da segurança citadas pela imprensa britânica, Khairi Saadallah, que chegou ao Reino Unido em 2012, estava em 2019 no radar da inteligência interna (MI5) por possíveis inclinações de ir ao exterior com fins terroristas.

Ele foi libertado da prisão no início de junho, após vários meses de detenção por crimes não relacionados ao terrorismo, incluindo agressão.

O jovem, que segundo sua família tem problemas mentais em decorrência da guerra na Líbia, foi preso minutos após esfaquear grupos de pessoas que se reuniam no parque no dia 20 de junho no final da tarde.

Dois cidadãos americanos e um cidadão britânico morreram no ataque. Três outros feridos se recuperaram.

Nos meses anteriores a esse caso, dois ataques com faca atribuídos a islamitas atingiram Londres. Em 2 de fevereiro de 2020, três pessoas ficaram feridas em um ataque em uma rua comercial. O agressor foi morto pela polícia.

No final de novembro de 2019, um jihadista em liberdade condicional matou duas pessoas no centro da capital antes de ser também morto a tiros pela polícia, na London Bridge.

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