Prisão temporária de suspeito pelo desaparecimento de indigenista e jornalista inglês terá tempo mínimo de 30 dias; entenda

A prisão temporária de Amarildo Pereira da Costa , o Pelado, o principal suspeito no caso do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, no Vale do Javari, será de no mínimo 30 dias. Decretada nesta quinta-feira pela juíza Jacinta Silva dos Santos, a prisão pode ser estendida por mais 30 dias ou, a depender das investigações, ser convertida em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

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O promotor de Justiça de Atalaia do Norte, Elanderson Lima, disse ao GLOBO, que a juíza concedeu inicialmente liberdade provisória ao suspeito, com medidas cautelares no flagrante da posse de um cartucho de fuzil calibre 762. No entanto, acabou por decidir pela prisão temporária de Amarildo da Costa por conta de provas levantadas na investigação, juntamente com a "sintonia" de depoimentos de duas testemunhas, que viram o suspeito passar em alta velocidade em sua lancha atrás de Bruno e Phillips.

Normalmente, as prisões temporárias tem prazo de cinco dias , mas por se tratar de indícios de crime hediondo , a data se estende por pelo menos um mês.

Amarildo da Costa teve a prisão temporária determinada nesta quinta-feira. Ele chegou a ter como advogados dois procuradores dos municípios de Atalaia do Norte e Benjamim Constant. Eles, no entanto, abandonaram a defesa do suspeito.

Uma testemunha chave afirmou ter visto Pelado carregar uma espingarda e fazer um cinto de munições pouco depois que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips deixaram a comunidade de São Rafael com destino à Atalaia do Norte, na manhã do último domingo, data em que foram vistos pela última vez.

De acordo com a narrativa da testemunha, Pelado, a quem a testemunha se referiu como “homem muito perigoso”, já vinha prometendo “acertar contas” com Bruno e afirmou que iria “trocar tiros” com ele tão logo o indigenista aparecesse no local.

Logo depois que Bruno e Phillips deixaram a comunidade, um colega de Pelado foi visto em seu barco com o motor ligado em ponto morto, à espera dele. Outra pessoa também estaria deitada na embarcação, que estava perto de onde Bruno e Phillips desapareceram.

A testemunha contou ainda que, logo mais abaixo no rio Itaquaí, Pelado foi novamente visto no barco, desta vez com mais quatro pessoas, passando em alta velocidade. Depois disso, não foi visto mais. A testemunha disse ainda que não “resta dúvidas” de que ele e os demais foram atrás da embarcação para fazer “algo de ruim” contra a dupla.

O relato da testemunha, que deve ser colocado em um programa de proteção, coincide com a revelação do GLOBO de que policiais militares que prenderam Pelado, nesta terça-feira, confirmaram que a lancha do suspeito foi vista perseguindo o barco do indigenista e do jornalista logo depois que eles deixaram a comunidade São Rafael.

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