Eleição rima com corrupção

Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro foi preso pela PF suspeito praticar corrupção passiva e tráfico de influência em um esquema no envio de verbas do MEC a prefeitos por intermédio de pastores evangélicos. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro foi preso pela PF suspeito praticar corrupção passiva e tráfico de influência em um esquema no envio de verbas do MEC a prefeitos por intermédio de pastores evangélicos. (Foto: EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Adoraria começar esse texto com “tudo transcorria com tranquilidade até que”...mas aqui no Brasil não funciona assim. Mais de 33 milhões de pessoas passam fome, a gasolina está cara, a carne está cara...e no meio de uma quarta-feira, 11h da manhã, o ex-ministro de Educação do governo é preso.

Tranquilidade não combina com política brasileira.

Ontem ainda eu estava falando sobre escândalos políticos naquele canal no YouTube com 35 visualizações e explicava os efeitos devastadores para a democracia. Um ponto fundamental nesses casos de corrupção envolvendo os políticos é a confiança no sistema.

Como, num país dominado pela corrupção em todos os níveis, esperar que os valores e os princípios fundamentais da democracia que deveriam se espalhar e se consolidar por toda parte, ajudem a recuperar a confiança dos cidadãos nas instituições da democracia representativa?

Somos uma das ilhas dominadas pelos esquemas de poder.

A falta de confiança nos políticos e nas instituições corrói toda e qualquer possibilidade de participação efetiva no processo democrático. O que motiva um cidadão a votar quando o sistema é podre? Não há motivação para votar que chegue a tempo.

Algumas pesquisas indicaram que o nível de democracia do Brasil regrediu. Isso não é uma prerrogativa do governo Bolsonaro. Mas ficou escancarada no governo Lula e fez com que as eleições de 2018 fossem as eleições do voto de protesto.

Agora, um soco na Educação. No ministério com um orçamento de mais de 150 bilhões. Num dos pilares para o bom desenvolvimento de um país.

Como explicar para o cidadão do interior que o filho dele não tem água para tomar na escola porque quem deveria cuidar dele enche os bolsos de ouro? Isso poderia ser literatura, mas não. É Brasil. É esse cidadão que querem que vá para as ruas com a bandeira de um país que lhe virou as costas?

Orgulhar-se de que? De uma administração que quase quebrou a maior petroleira do mundo e tem em seu líder um “não sabia de nada” insistente nesses anos todos?

Orgulhar-se de um ex-presidente que finge que nada aconteceu debaixo de seus olhos e age como se fosse mais santo que Jesus? Ou de um outro que apenas preocupa-se em salvar seus filhos de um julgamento da justiça e para isso ataca incessantemente o STF como uma cortina de fumaça?

Agora mais um golpe. Talvez, fico me perguntando, o golpe na Educação seja proposital. Quebrando a coordenação social que possibilita o avanço. Usurpando o direito daqueles que podem propor uma reflexão sobre o caos que nos assombra. Quebra por dentro.

A democracia exige altos níveis de confiança pública nos mecanismos institucionais de formação de governos em consequência da delegação voluntária de soberania e de poder que os cidadãos fazem a seus representantes eleitos.

O compromisso de cooperação dos cidadãos com o regime democrático, em especial a sua submissão à lei vigente com a estrutura de direitos de cidadania depende da existência de garantias de que sua expectativa de que os demais cidadãos farão a sua parte não será fraudada por “expedientes” extralegais como a recusa, por exemplo, em oferecer o básico.

O brasileiro não tem garantias de que o sistema irá ficar à margem de mecanismos de coerção. Sucumbir parece a regra. Não somos, definitivamente, uma democracia plena. Nossa eleição, infelizmente, rima com corrupção.

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