Priscila Fantin volta ao teatro e justifica 'cautela' com trabalhos na televisão

Gustavo Cunha

Há cerca de um ano, Priscila Fantin tem se dedicado exclusivamente aos palcos. A rotina é mais tranquila, ressalta a atriz, distante de trabalhos na televisão desde 2016 (quando participou de "Êta mundo bom!"). Ela prefere que seja assim.

— Fiz novelas por muitos anos consecutivos, e deixei de ter uma vida pessoal que me fez falta, emocionalmente falando. Agora, passei a escolher com mais cautela o que faço — afirma a artista, em cartaz com a peça "Como falar de amor sem dizer eu te amo" no Teatro Fashion Mall, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

O espetáculo é justamente um reflexo dessa nova decisão. Na comédia romântica escrita por Vagner D'Ávila, a atriz de 36 anos divide a cena com o marido Bruno Lopes, com quem se casou neste ano em cerimônia na Grécia — a dupla agora planeja pequenas festas para a renovação dos votos em todos os continentes.

Montada em dezenas de cidades do país, a narrativa acompanha o primeiro encontro de dois jovens viúvos que resolvem se aventurar em aplicativos de relacionamento, em trama que dá novo sentido para uma questão recorrente na dramaturgia mundial: afinal, o que é o amor?

— Para nós, fazer teatro é uma forma de amar — diz ela nesta entrevista, em que confirma os planos para aumentar a família (a artista já é mãe de Romeo, de 8 anos, fruto de seu antigo relacionamento com Renan Abreu).

A peça parte de uma questão que está logo no título: "Como falar de amor sem dizer eu te amo". Essa frase ("eu te amo") se banalizou?

Acho que sim. A gente usa "eu te amo" quase como um "tchau, até amanhã"! Claro que quanto mais nos expressarmos, melhor. Quanto mais sentirmos que amamos ou tentarmos emanar o amor, melhor. Mas muitas vezes as palavras apenas saem da nossa boca. Às vezes damos "bom dia" para o vizinho ou para o porteiro só para seguir um protocolo social. Quando realmente queremos que a outra pessoa tenha um bom dia, essa frase sai com outro colorido, com outra energia. Nunca sabemos as batalhas internas que o outro está travando. Portanto, respeitá-lo é uma forma de amar. Um sorriso pode mudar o dia de uma pessoa. Amar está nas atitudes, na verdade do que se faz. Dizer "eu te amo" sem estar preenchido do sentimento é fácil. Temos que agir no eu te amo.

E como você e seu marido têm agido nesse sentido?

Nós vivenciamos bastante o amor na estrada. Fazer teatro é uma forma de amar. A gente põe a mão na massa, passa por várias dificuldades em prol do sorriso e da transformação do estado interno da plateia. Além disso, quando fazemos as visitas sociais (com apresentações da peça em ONGs, hospitais e instituições beneficentes), reafirmamos que o amor está na atenção real a quem está ao seu lado.

A peça foi escrita especialmente para vocês. Os personagens cultivam comportamentos semelhantes, em algum aspecto, com os intérpretes?

Alguma mania ou outra, apenas umas pinceladas, pois eles têm personalidades peculiares. São duas figuras de marca maior.Recorda-se como foi seu primeiro encontro com o Bruno? É uma mulher segura?

Eu era absolutamente insegura. Na vida! Em tudo! Foi o Bruno que me trouxe segurança. Não preciso mais de artifícios ou máscaras para me relacionar. Lembro de olhar nos olhos dele e enxergar tão profundamente que nunca mais quis sair desse olhar.

Desde 2018, vocês têm encenado a peça em diferentes lugares do país. Em algum momento tiveram receio de misturar o trabalho com a vida a dois?

Fizemos a escolha de estar juntos não só no dia a dia, administrando as questões de uma casa e malhando, mas também trabalhando, porque, além da peça, somos sócios no escritório que cuida dos nossos projetos e carreiras. A convivência só nos fortalece. Além de ser reconfortante ter total confiança com quem você trabalha.

Já pensam na possibilidade de outras montagens, com outros textos?

Sim! Este mesmo texto ainda pode render outras histórias.

E como segue o plano de se casar em vários continentes?

Já planejamos várias cerimônias que não pudemos ir por causa das nossas responsabilidades. Seguiremos tentando. É sempre uma surpresa.

Por que pretendem reafirmar o laço amoroso, com novas cerimônias?

Nenhum de nós nunca havia pensado em se casar antes. E nossa vontade atravessa as tradições e as religiões. Queremos diferentes bênçãos, em diferentes culturas.

E pensam em expandir a família?

Sim.

Desde 2016 (com "Êta mundo bom!"), você não participa de uma novela. Lembro que você chegou a afirmar, numa época, que teria dado um tempo da TV para se dedicar com mais calma à família. Esse afastamento da televisão ainda é reflexo dessa escolha?

Fiz novelas por muitos anos consecutivos e, com isso, deixei de ter uma vida pessoal que me fez falta, emocionalmente falando. Mas tive essa experiência porque fiz praticamente apenas protagonistas e antagonistas, então a dedicação era absoluta. Sou muito CDF no que me proponho a fazer. Por isso, não poderia ser diferente...! Mas sou atriz, e essa é a minha profissão, independentemente do veículo de atuação. No teatro, como produzimos e dirigimos essa peça, ficamos 24 horas com ela em mente, mas estamos juntos e posso responder e mandar e-mails de casa.

O público te aborda muito na rua para cobrar seu retorno às novelas?

Sim, é o que mais dizem.

E há previsão de uma volta à TV? Tem recebido convites?

Ainda não tenho previsão, talvez por que esteja escolhendo com mais cautela o que fazer.

Teatro Fashion Mall (Sala II): Fashion Mall. Estrada da Gávea 899, São Conrado — 2111-4444. Sex e sáb, às 21h. Dom, às 20h. R$ 70 (sex e dom) e R$ 80 (sáb) 70 minutos. Não recomendado para menores de 12 anos. Até 1º de dezembro.