Priscila Senna defende estilo que a tornou uma estrela no Nordeste: 'Ser brega sempre esteve em alta'

É inevitável comparar a trajetória de Priscila Senna com a de Wesley Safadão. Ele já era uma estrela no Nordeste muito antes de virar uma paixão nacional. Atraía milhares de pessoas aos seus shows ainda como vocalista da banda Garota Safada. Com Priscila, que já foi gravada por Marília Mendonça,  não é diferente.

Ainda chamada de Musa pelos fãs, nome da banda que liderava antes de seguir em carreira solo, a cantora de 29 anos é a voz feminina do estilo brega. No Recife, onde vive, a cor do seu cabelo virou mania entre as mulheres, e evita sair às ruas por causa do grande assédio. Como Safadão almejou e conquistou um dia, só falta a Priscila o estouro no restante do país. 2020 está aí para isso.

Como você vê o fato de ter virado inspiração para muita gente? A cor do seu cabelo, por exemplo, virou moda entre as mulheres?
Eu nunca imaginei que isso poderia acontecer um dia. Sempre estive do outro lado, sempre fã de grandes artistas e tendo algumas delas como inspiração. Aos poucos fui vendo que com meu trabalho, com minha música e com meus cabelos ruivos (são pintados... kkkkkkkk), fui me tornando inspiração para outras mulheres. De início fiquei muito espantada, muito impressionada com esse fato. Assim que nosso primeiro DVD virou febre e nossas músicas eram cantadas por mais e mais gente, a cada show, mais mulheres iam aparecendo com cabelos vermelhos. Hoje eu assimilo isso muito melhor e claro, fico muito feliz por isso.

Você é uma pessoa reservada, faz raras aparições públicas e parece avessa a badalação. É uma maneira de preservar sua intimidade?
Quem me vê no palco cantando e até dançando não imagina que eu fora dele sou uma mulher tímida. Tenho uma vida normal e de hábitos simples. Gosto muito de estar ao lado da minha família, do meu filho e dos meus sobrinhos. Antes eu conseguia ir em parques, shopping, mas hoje tem sido difícil sair para lugares públicos. Mas não me escondo, mostro muito do meu cotidiano nos stories do Instagram. Principalmente minhas brincadeiras com meu filho e meus sobrinhos. E os fãs adoram.

 

Na sua opinião, o que falta para o brega se tornar um fenômeno musical em todo o país?
Tudo que canta o amor, que canta a sofrência, que canta a roedeira é brega. Ser brega sempre esteve em alta. A Marília (Mendonça) em vários momentos se intitula brega. Inclusive ela já regravou uma música minha ("Me Desculpe Mas Eu Sou Fiel"), o que pra mim foi maravilhoso. Nesse último trabalho dela, esse DVD que foi gravado em vários lugares do Brasil,  tem músicas brega. Bom, o sertanejo é brega, o pagode tem letras bregas. O forró romântico é brega. O que falta é o grande público e a mídia nacional propagarem isso. Se assumirem brega. Gente, ser brega e cantar o romantismo sempre esteve em alta.

Após dez anos de carreira, o que Priscila Senna ainda gostaria de conquistar?
Para quem veio da periferia, para quem passou pelo que eu passei, não me falta conquistar nada. Ainda mais de ter colocado mais de 70 mil pessoas em um show. Isso pra mim foi... fico sem palavras. Consegui trabalhar com o que amo. Consegui levar o dom que Deus me deu a vários lugares que eu não imaginava. Consegui ter uma família abençoada. Ter meu marido trabalhando comigo, aliás, ele é cem por cento dedicado ao nosso trabalho. Tenho um cunhado compositor e autor de muitos sucessos nacionais (a cantora é cunhada do compositor Elvis Pires) de quem sou fã. A única coisa que eu ainda gostaria que acontecesse é que cada vez mais, mais pessoas pelos quatro cantos do Brasil conheçam e curtam o meu trabalho.

 

Sua música fala com o povão e também é admirada pela garotada e setores mais intelectualizados. Priscila é pop e cult ao mesmo tempo?
Graças a Deus, sim. Nosso trabalho é mais popular, é mais a cara do povo. Da mulher traída, da mulher apaixonada. Mas, ao longo desses anos, justamente por agradarmos também uma turma que habitualmente não frequenta muito o nosso show, surgiram parecerias inusitadas mas muito legais. Já gravamos com muita gente. Nessa linha vem Cult lembro bem do Coquetel Molotov, de Romero Ferro. Já havia cantado com Reginaldo Rossi. Já participei também de músicas com Perícles, Tierry, Naira Azevedo. Ah, muita coisa bacana, gente. E vivam os duetos! Adoro cantar com cantores de outros estilos. É muito enriquecedor.