Eletrobras: Vale a pena sair de FGTS-Vale e FGTS-Petrobras para investir na companhia com recursos do Fundo?

Os trabalhadores interessados poderão usar suas contas do FGTS para comprar ações na operação de capitalização da Eletrobras. Para isso, há a opção de usar recursos do Fundo ou migrar posições adquiridas em papéis da Petrobras e da Vale também por meio do FGTS.

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Para aqueles que aceitam correr mais riscos, o uso do FGTS para comprar ações pode trazer retorno superior ao oferecido pelo Fundo, segundo especialistas e o histórico de operações semelhantes. Mas para quem já possui ativos nos fundos mútuos de privatização (FMP) de Vale e Petrobras, a indicação é manter os ativos onde estão ou apostar na diversificação e não na transferência.

Analistas ouvidos pelo GLOBO não consideram a opção interessante, pois Vale e Petrobras tendem a dar retornos melhores do que a Eletrobras.

Simulação feita pela head de análise da plataforma de fundos da XP, Carolina Oliveira, mostra que o rendimento de quem optou pelos fundos mútuos de privatização de Vale e Petrobras superou em larga escala o de quem deixou o dinheiro no FGTS.

A simulação leva em conta o período de janeiro de 2002 a 13 de maio último. Quem deixou os recursos retidos no FGTS teve retorno de 136,09% neste intervalo. Para o investidor que colocou recursos no FGTS-Vale, uma das opções oferecidas rendeu 2.235,13%. No caso da Petrobras, o rendimento foi de 649,36% no período.

Os trabalhadores interessados em investir na Eletrobras com dinheiro do FGTS já podem consultar o saldo das contas no aplicativo do FGTS e, a partir de 3 de junho, procurar a instituição administradora dos Fundos Mútuos de Privatização (FGTS Eletrobras) para fazer a reserva.

O prazo da reserva deve ser curto, de apenas três dias, segundo técnicos do governo. Já há ao menos 19 fundos de 11 bancos e instituições financeiras interessados participar da operação.

Os trabalhadores podem investir na privatização da Eletrobras um valor mínimo de R$ 200 e máximo de 50% do saldo existente e disponível na conta vinculada do FGTS, na data da opção. Caso o trabalhador tenha mais de uma conta poderá usar parte de todas.

Aqueles que ainda mantêm as aplicações de Vale e Petrobras terão que descontar os valores, caso optem pela compra de ações da Eletrobras. Ou seja, ao calcular os 50% do saldo, será preciso abater do total o montante aplicado em Vale e Petrobras.

Preço do petróleo deve ficar acima da média

O analista do time de Research da Warren, Gustavo Pazos, considera válido o investimento em Eletrobras por meio dos recursos do Fundo pela possibilidade de rendimento a longo prazo, se considerado a rentabilidade baixa do FGTS.

- É mais pelo FGTS ter uma rentabilidade muito baixa do que pela qualidade da Eletrobras. A grande questão está na oportunidade de tirar 50% do FGTS – disse Pazos, destacando que o investidor precisará ficar com o papel em mãos por um ano, caso queira se desfazer.

No entanto, ele se mostra mais cético quanto a migração dos ativos de outros FMP.

- No nosso entendimento, não vale a pena, porque estamos otimistas com o setor de óleo e gás e com o minério. O principal motivo pelo qual gostamos de Vale é a operação, e de Petrobras, não somente por melhorias operacionais, mas também por causa do preço do petróleo. Acreditamos em uma perpetuação dos valores do petróleo acima da média histórica.

O analista da casa de análise Top Gain, Sidney Lima, destaca que Vale e Petrobras apresentam números melhores no passado recente.

Ele cita o caso do indicador Preço/lucro, que costuma ser observado pelos investidores. Quando menor o valor, maior a atratividade da empresa.

- No momento da comparação, devemos levar em conta os parâmetros fundamentalistas de cada ativo. O PL da Eletrobras é de 9,63, o que já é interessante considerado os ativos em geral na Bolsa. Porém ao compararmos com a Petrobras, com PL de 2,57 e Vale, com PL de 3,63, podemos observar que elas são mais lucrativas, tornando viável a permanência nesses ativos.

Recomendação é diversificar

Lima sinaliza que o melhor seria a opção pela diversificação entre os ativos.

- Não acho válido a troca, a não ser que seja sob o olhar de diversificação de investimentos e diminuição de exposição em setores como petróleo e minério. Com o contexto eleitoral, talvez faça sentido uma diminuição em Petrobras. Porém somente na ótica de diversificação, não de transferência de exposição.

O sócio-fundador da Nord Research, Bruce Barbosa, também recomenda a diversificação entre os ativos.

Ele afirma que a Eletrobras teve sua capacidade de realizar novos investimentos comprometida nos últimos anos, o que influenciou nos resultados. Esse cenário pode vir a mudar com o processo de privatização.

- Vale a pena manter os dois e colocar também a Eletrobras. No curto prazo, é incerto, mas no longo prazo, as ações vão depender dos resultados. É possível que os resultados cresçam, porque com o capital privado a empresa terá mais dinheiro para investir.

Pazos, da Warren, também destaca que as ações da Eletrobras se valorizaram no passado recente mais pelas expectativas do mercado em relação ao processo de privatização do que pelos resultados apresentados.

- Vai entrar uma nova gestão e a única certeza que nós temos é que não será um controlador único. Não sabemos quem vai compor essa governança, quais são as perspectivas que essa governança vai passar para o mercado, quais os ajustes que ela vai fazer e como isso vai impactar nos números

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