"Privatização da Eletrobras é a nova cloroquina do setor elétrico", diz Aesel

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The logo for Eletrobras, a Brazilian electric utilities company, is displayed on a screen on the floor at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York, U.S., April 9, 2019. REUTERS/Brendan McDermid
Presidente da Aesel não acredita que privatização é garantia de reposicionamento absoluto nos setores de geração e transmissão de energia (Brendan McDermid/Reuters)
  • Presidente da Aesel acredita que privatização da Eletrobras é "nova cloroquina do setor elétrico"

  • Ikaro Chaves não crê que essa desestatização vai estimular competitividade no setor

  • Ele rebate argumento de que Eleletrobras não tem caixa de investimento

Segundo o presidente da Aesel (Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras) Ikaro Chaves, “a privatização da Eletrobras é a nova cloroquina do setor elétrico, porque ela não resolve os problemas e ainda pode matar o paciente”. Em debate no Senado nesta quarta-feira (2), ele afirmou que a desestatização não é garantia de reposicionamento absoluto nos setores de geração e transmissão de energia. As informações são do Valor Econômico.

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Chaves acredita que essa diluição do controle da capacidade de geração de energia pela União pode fazer com que os poderes sobre parte importante da gestão de recursos hídricos e energéticos fiquem nas mãos de fundos de investimentos.

Capital, lucro e competitividade

O presidente da associação rebate o argumento de que a privatização vai estimular a competição e ser positiva para o consumidor, já que a Eletrobras é responsável por 30% da capacidade de geração de energia. Além disso, segundo ele, com essa participação, a estatal tem controle de 52% do armazenamento elétrico de água, que abastece a principal fonte de energia usada no Brasil, que são as hidrelétricas. 

Ele também rebate o argumento de que não há capital de investimento, porque a estatal tem R$ 14,5 bilhões em caixa sem uso.

“A Eletrobras deu R$ 30 bilhões de lucro nos últimos três anos; a Eletrobras foi a sexta empresa mais lucrativa do Brasil no ano passado, que foi um ano de pandemia; a Eletrobras tem uma relação de dívida líquida [versus fluxo de caixa] de 1,5, que é menor do que a maioria das suas concorrentes privadas, ou seja, é uma empresa muito pouco endividada, pronta para fazer investimentos”, disse.