Pro Criança Cardíaca completa 25 anos com mais de 15 mil crianças atendidas

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RIO — Depois de sair com a família da cidade alagoana de Palmeira dos Índios, aos 5 anos, para morar no Rio, então capital do Brasil, a cardiologista pediátrica Rosa Celia, ainda menina, foi levada pela mãe, uma mulher humilde, para morar em um internato em Botafogo. No lugar, só via os pais uma vez por ano. Era o Colégio União das Operárias de Jesus, iniciativa de uma senhora que havia perdido três filhas por problemas cardíacos. Claro que aquela menina franzina nem sonhava que, no mesmo bairro, décadas depois, o Pro Criança Cardíaca, projeto criado por ela, faria 25 anos com tantos benefícios a crianças e adolescentes que também nasceram com problemas no coração. Ao relembrar a trajetória, a médica faz questão de ressaltar que a caminhada foi cercada de pessoas que lutaram junto pelo sucesso da empreitada. Uma delas é Isabela Rangel, diretora-médica do projeto, que trabalha com Rosa Celia desde 1996. Além de Isabela, outras quatro médicas fazem parte da equipe: Solange Gomes, Lucia Tomoko Fukuyama, Raizza Fernandes da Costa e Cyntia Nolasco. Há ainda cerca de 50 voluntários, espalhados em áreas distintas. São advogados, arquitetos, engenheiros e fotógrafos, entre outros profissionais. Eles trabalham sob demanda. E há ainda os voluntários que ajudam na separação das doações que chegam.

— Para chegarmos até aqui, foi fundamental termos amigos e parceiros caminhando conosco nesta estrada do servir. Vale a pena lembrar que sozinhos não chegamos a lugar nenhum. Continuamos precisando de muita ajuda para garantir a continuidade e o sucesso do nosso trabalho. Contamos com uma equipe multidisciplinar, cuidando da criança e dos responsáveis com profissionalismo e carinho — diz Rosa Celia, moradora do Leblon.

Nessas duas décadas e meia de vida, já foram realizadas 32 mil consultas cardiológicas, 15 mil pacientes foram assistidos e 1.500 procedimentos invasivos para salvar vidas de crianças e adolescentes carentes foram feitos. O Pro Criança, que hoje ocupa um lugar entre as cem melhores ONGs do Brasil, é uma instituição sem fins lucrativos profissionalizada, com administração transparente, com um código de ética e conduta que o leva a ter destaque no Terceiro Setor.

O desafio para os próximos 25 anos é expandir a equipe e os demais recursos para atender mais crianças e jovens, ampliando os serviços no Rio, para, depois, chegar a outras locais.

— Desde a fundação, em 1996, nossa instituição tem o propósito de contribuir para a sociedade. A missão do Pro Criança é cuidar das crianças cardiopatas carentes, tendo compromisso com a transformação social do Brasil — reforça Mitzy Cremona, diretora-executiva do Pro Criança.

Jovem atendido no início do projeto relata experiência

Quando Maria das Graças de Medeiros Costa conheceu o projeto Pro Criança Cardíaca, há 25 anos, tinha a esperança de ver o seu bebê, Ramon, curado de uma cardiopatia congênita. Ela havia recebido o prognóstico de que se, em seis meses, o filho não fosse submetido a uma cirurgia cardíaca, ele não sobreviveria. Hoje, 25 anos depois, é o próprio Ramon, que enfrentou ainda uma segunda intervenção cirúrgica para pôr uma prótese metálica, quem conta essa história. No peito, ele carrega a cicatriz das cirurgias que salvaram sua vida. Formado em Psicologia, o jovem agora faz diferença na vida das pessoas ao compartilhar a experiência pela qual passou.

— Sempre estive presente no projeto de algum modo, divulgando entre os conhecidos e hoje, com mais maturidade, contribuindo e tendo um contato mais direto com o time de comunicação. Eu me sinto realizado quando consigo fazer o bem para outras pessoas. Esse é um dos maiores ensinamentos que tive com o projeto: a importância de contribuir socialmente. Cada vez que consigo fazer algo de bom para alguém, sinto que entendi a missão do projeto. Sou grato por tudo — diz.

Na sede do projeto, inaugurada em 2001 na Rua Dona Mariana 40, em Botafogo, hoje são atendidos cerca de 140 pacientes por mês. Os pequenos passam pelas mãos de uma equipe de profissionais altamente qualificados, que realizam avaliação clínica, eletrocardiograma e ecocardiograma, entre outros procedimentos. Outros exames ambulatoriais, como avaliação hematológica e tomografia, e procedimentos invasivos, como cirurgias cardíacas e cateterismos, são realizados no Hospital Pediátrico Pro Criança Jutta Batista, que foi construído graças ao empenho de Rosa Celia e inaugurado em 2014. Em 2019, houve uma mudança no modelo de gestão inicialmente pensado pela médica. E a unidade foi arrendada pela Rede D’Or. No entanto, a nova administração garante o atendimento das crianças oriundas do projeto Pro Criança Cardíaca.

As crianças e os adolescentes beneficiados pelo projeto também contam com atendimentos dermatológico, odontológico, nutricional e psicológico. Logo no início, Rosa Celia percebeu que, depois de um procedimento cirúrgico, todo o esforço médico poderia ir por água abaixo caso a família não tivesse dinheiro suficiente para a compra de remédios e até de alimentação. Por isso, além de remédios, cestas básicas são doadas às famílias dos pacientes.

Entrelaçadas, as histórias da médica e do projeto Pro Criança Cardíaca foram reunidas no livro “Rosa Celia e o coração da criança”, lançado este ano. Quem doar R$ 100 ao Pro Criança Cardíaca, recebe de presente um exemplar. Pedidos pelo site www.procrianca.org.br/portfolio-items/rosa-celia-e-o-coracao-da-crianca.

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