Problemas locais têm causado revisões para baixo das expectativas de crescimento para 2022, diz presidente do BC

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BRASÍLIA — Em meio às discussões sobre um parcelamento da PEC dos Precatórios e a abertura de espaço no Orçamento de 2022 para aumentar os valores do Bolsa Família, o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse nesta quinta-feira que problemas locais têm causado uma série de revisões das expectativas de crescimento para 2022.

— Nós tivemos muitos aumento nas expectativas de crescimento no Brasil para 2021. No começo, era acompanhado por 2022, mas penso que os ruídos recentes que tivemos sobre muitos fatores locais estão começando a fazer com que alguns agentes econômicos revisem para baixo suas previsões de crescimento para 2022 — disse Campos Neto em evento do Conselho das Américas.

O mercado tem piorado suas projeções para o PIB neste ano por conta de riscos fiscais, como um possível parcelamento do pagamento de precatórios, e da previsão de juros mais elevados em 2022. O Itaú, por exemplo, mudou a perspectiva de crescimento de 2% para 1,5% e a MB Associados diminuiu de 1,8% para 1,4%.

Os riscos fiscais afetam as expectativas de inflação. Com expectativas mais altas, o BC tende a aumentar os juros para colocar o índice na meta. Taxa de juros mais altas têm um efeito negativo no crescimento da atividade econômica.

De acordo com o relatório Focus, que reúne as expectativas do mercado, a inflação deve ficar em 3,9% em 2022, acima da meta de 3,5%. Para evitar que as projeções se elevem mais, o BC subiu os juros para 5,25% e sinalizou que deve aumentar ainda mais.

No evento desta quinta-feira, Campos Neto afirmou que esses ruídos têm um peso relevante nas decisões dos agentes econômicos de revisar suas projeções de inflação.

Segundo o presidente do BC, há uma incerteza no cenário internacional um pouco alta, que se soma a uma incerteza sobre o nível de ruído institucional em “como o Brasil funciona” e no "conflito entre poderes”.

Campos Neto também citou a preocupação do mercado com as mudanças no Bolsa Família e o compromisso fiscal do governo.

— O mercado está ligando algumas ações que o governo está fazendo com a vontade de ter um programa mais robusto e ligando alguns coisas que o governo tem feito com as eleições e acho que isso cria um ruído adicional. Acredito que quando o governo explicar o que o Bolsa Família vai ser e como vai ser pago, eu acho que vai retirar um pouco dessa incerteza vista no mercado — explicou.

O presidente do BC ainda ressaltou que a situação fiscal do país atualmente é melhor do que o projetado há cinco meses e que a autoridade monetária fará o que for preciso para atingir a meta de inflação.

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