Processo surpreende Fluminense, que passa a ver Pedro e seu estafe como desafetos

Rafael Oliveira
Hoje no Flamengo, Pedro processou o ex-clube Fluminense

Na última quarta, antes de a bola rolar para o Fla-Flu, Pedro apareceu em frente ao vestiário do Fluminense no Maracanã. Cria do Tricolor, que deixou há apenas cinco meses, ele cumprimentou os ex-companheiros de casa. Num clima bastante amistoso, o encontro ocorreu no mesmo dia em que seus advogados entraram com uma ação na qual cobravam R$ 2,2 milhões do próprio clube das Laranjeiras.

— Se já soubéssemos disso, com certeza a reação (a ele) teria sido diferente — disse um dirigente tricolor que não quis se identificar.

Até a última quarta, as críticas a Pedro se limitavam às arquibancadas. Afinal, o ex-xodó não só aceitara jogar no Flamengo como externou sua torcida pelo rival. A partir do momento em que o processo veio a público, a imagem do atleta passou a ficar manchada dentro do próprio clube.

Mais do que a cobrança na Justiça, o que irritou a diretoria foram alguns detalhes. Pontos considerados delicados foram incluídos. O principal deles é a não contratação de um seguro para acidente de trabalho. A ação lembra que Pedro ficou oito meses parado e perdeu uma convocação para a seleção em razão da lesão no joelho. Na visão dos tricolores, esta cobrança não faz sentido, já que o clube nunca encaminhou o jogador ao INSS e pagou seus salários.

A ação abrange outros pontos que repercutiram mal nas Laranjeiras, como o pedido para o clube ser excluído do Ato Trabalhista. Mas também inclui cobranças consideradas normais. Até hoje, segundo o processo, o Fluminense não pagou a verba rescisória de R$ 376,9 mil e não depositou sete parcelas do FGTS.

Vale lembrar que jogador e clube seguem ligados. Ao vender Pedro para a Fiorentina-ITA, o Fluminense manteve 20% de seus direitos econômicos.

Outro personagem envolvido no processo virou alvo da ira do Fluminense. Trata-se do advogado Carlos Theotonio Chermont de Brito. Principalmente em razão de seu comportamento no Twitter. Em diálogo com o ex-coordenador médico do clube Michael Simoni, que questionou a cobrança do seguro por acidente de trabalho, ele rebateu com um “para de chorar”.

“Deixa o craque deslanchar. Reclama com os tribunais que entendem se tratar de acidente de trabalho a contusão sofrida no desempenho das atividades profissionais. Os tricolores estão inconformados com ida dele para o Flamengo. Deixa o cara ser feliz”, prosseguiu Chermont.

O advogado presta serviços para o Flamengo. Nas Laranjeiras, a opinião é de que ele persegue o Fluminense.