Procura por cabelo black power sobe depois de racismo no ‘BBB21’

Extra
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O episódio de racismo no “BBB21” envolvendo um comentário de Rodolffo sobre o black power de João causou de tudo na sociedade: dor para muitos, desculpas para outros e, agora, uma corrida aos salões. O movimento, no entanto, não começou com o programa de TV. Já vem de uma maior conscientização da população acerca de representatividade e identidade. E, para sair com o seu black power, nem é preciso esperar o cabelo crescer.

— Está sendo muito procurado (cabelos cacheados e crespos). O método costurado ou nó italiano está em alta pois os cabelos originais ficam trançados. É um caminho que está sendo seguido, principalmente pelas mulheres, para fazer a transição para o cabelo natural — explica Mara Almeida, diretora-geral do Madam Stylus.

É um penteado, mas não se resume a isso. É símbolo da identidade do movimento Black Power nos Estados Unidos, símbolo de resistência, orgulho racial e finca na sociedade um posicionamento político. Por isso não é de se estranhar a comoção que foi quando Rodolfo comparou o cabelo de João a uma peruca de “homem da caverna”. Rodolffo deixou o programa, mas mesmo antes dele sair, a sua equipe aqui fora já tinha pedido desculpas. Aprendizado que fica. Ele não fez por mal. A dor do João, de todo jeito, é a mesma.

Casos que na TV são raros, mas que no mundo real, nem tanto. A jornalista Isabel Ludgero, de 38 anos, não teria condições de contar quantas vezes passou por situações de racismo.

— É importante a gente valorizar os nossos traços. Passamos por situações desagradáveis desde o preconceito velado até o racismo recreativo, quando fazem piadas que nunca têm a intenção de machucar. Mas elas machucam — conta.

Para a empresária Mara, as coisas estão mudando, apesar de o ritmo ainda parecer lento. Ela percebe isso nas conversas com as clientes mas vê em números as vendas nas lojas de cabelos humanos e laces em Nova Iguaçu e Campo Grande.

— Há uma mudança de comportamento nas pessoas, que valorizam as suas raízes. E há até um movimento de pessoas brancas que chegam querendo consultoria de como mudar o estilo e adotar cabelos mais volumosos, cacheados e crespos — analisa a empresária.