Procura por vacina da Covid-19 aumenta no Rio após imunização entre jovens estagnar

Após semanas de estagnação, os cariocas começaram a voltar a procurar a vacina para a Covid-19 nos postos. A cobertura da terceira dose chegou a 67%, mas a previsão inicial da prefeitura era que atingisse os 70% da população vacinada antes dos desfiles das escolas de samba em abril. A maior dificuldade é incentivar os jovens a retornarem aos postos para o reforço. Enquanto somente 45% dos cariocas de 20 a 29 anos já tomaram as três vacinas para a Covid, a cobertura da quarta dose entre os idosos ultrapassou 54%.

Covid-19: Trabalhadores de saúde a partir de 40 anos já podem receber a 4ª dose

Vacinação: Governo libera quarta dose para pessoas acima de 50 anos

O aumento dos casos levou muitos a retornarem aos postos. De segunda a quinta-feira passada o número de doses aplicadas no município do Rio não tinha passado de 25 mil. Ontem, foram 47 mil vacinas contra a Covid aplicadas. O número também é puxado pelos quase 74 mil“cinquentões” que já foram receber a segunda dose de reforço.

— Estamos tentando algumas estratégias diferentes, com postos de vacinação externa em lugares de maiores movimentos para tentar captar a pessoa. Desde semana passada temos tido resgate de dose de reforço atrasada. Reduzimos em quase 100 mil o número de atrasados — diz o secretário municipal de Saúde Rodrigo Prado.

Rosângela Monteiro, de 63 anos,enfrentou a fila e o medo de agulhas para receber a terceira dose da vacina ontem no posto externo do Tijuca Tenis Clube.

— Eu tomei a minha terceira dose com muito atraso, porque realmente eu sou uma pessoa muito medrosa, tenho pavor de agulha. Eu fui postergando, mas vi a fila imensa no Tijuca Tênis Clube e a minha filha me aconselhou a me imunizar logo. Apesar do medo, eu não senti dor em nenhuma das três vezes e não estou tendo reação. Eu atrasei a terceira dose, mas assim que eu puder tomar a quarta, irei me imunizar — explica Rosângela.

A prefeitura do Rio também deve receber nos próximos dias cerca de 400 mil doses de Pfizer, imunizante utilizado no início da vacinação de adolescentes. O Ministério da Saúde pretende enviar 1 milhão de doses para ser usado pelos 92 municípios do Rio e até esta terça-feira 715 mil doses já estavam com a secretaria estadual de Saúde

Retorno da fila por leito

Ainda sem reflexo no número de óbitos, o aumento de casos de Covid-19 na cidade do Rio já causa um impacto na fila de internação para tratar a doença. Dados do painel da prefeitura mostram que nesta terça feira (07) à noite 11 pessoas esperavam ser transferidas de uma unidade de emergência para um hospital da rede. Em média, o tempo na fila ultrapassava 73 horas, mais três dias. Há um mês, apenas oito pessoas estavam internadas na cidade e a fila estava zerada. O crescimento de casos e de pedidos de internação levou a secretaria estadual de Saúde a reabrir 40 leitos no Hospital Dr Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu.

Com 90 pessoas internadas com Covid na cidade do Rio, a falta de vagas ocorre porque a maioria dos leitos usados anteriormente para o tratamento de pessoas com coronavírus foi convertido para atender outras especialidades. O Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, que por meses foi exclusivo para Covid-19, ontem tinha apenas duas pessoas positivadas para a doença entre os 400 leitos.

— Enviamos um ofício para os governos estadual e federal pedindo a abertura de novas vagas e acreditamos que eles têm essa capacidade. Dos internados hoje no Rio, 22 são de outros municípios. As pessoas que estão na fila estão sendo assistidas pelas equipes — afirma Rodrigo Prado, secretário municipal de Saúde do Rio.

Criado para ser exclusivo no tratamento da Covid-19, o hospital Dr. Ricardo Cruz (HERCruz), em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, também converteu leitos para a internação de pacientes sem Covid-19 após a redução de casos. No entanto, um novo crescimento da curva do coronavírus fez a secretaria estadual de Saúde reativar 30 leitos de enfermaria no último sábado e outros 10 de UTI nesta segunda-feira (07). De acordo com a pasta, o maior número de solicitações de leitos está na capital.

"A SES acompanha diariamente o número de atendimentos nas emergências e nas UPAs da rede estadual para verificar possível aumento na demanda e atua com um plano de contingência que prevê a ativação de níveis a partir de determinados cenários epidemiológicos. Com base nesse plano, em cada nível de ativação, são definidas as medidas de enfrentamento que serão tomadas. Havendo necessidade de ampliação de leitos, a Secretaria conta com um cronograma escalonado para reversão dos leitos de Covid-19, que com a redução na transmissão da doença, foram revertidos para atender casos clínicos", explica a secretaria estadual de Saúde em nota.

Saiba mais: Taxa de testes positivos de Covid-19 dispara 163% em maio

Segundo o diretor da Associação de Hospitais Privados do Estado do Rio, Graccho Alvim, a rede privada começa a receber mais pacientes, mas sem a necessidade de internação.

— Temos um hospital grande na capital que nas últimas duas semanas foram abertos apenas seis leitos de UTI, que comparado a outros momento da pandemia é um número bem baixo. Atualmente temos internados aquelas pessoas com comorbidades, doenças graves e não vacinados — diz.

O aumento do número de casos de Covid-19 nesta época do ano era esperado pelas autoridades de saúde, assim como outras doenças respiratórias, como a gripe. Atualmente a taxa de positividade para o coronavírus na cidade do Rio está em 23%, enquanto no início de maio era de 8%. A recomendação é que quem tenha sintomas procure um posto de saúde para realizar o teste antígeno, além de usar máscara. A estilista Sol Azulay, de 42 anos, foi ao Centro Municipal de Saúde Píndaro de Carvalho Rodrigues, na Gávea, vacinar o seu filho, Benjamín Azulay, de 4 meses, e decidiu fazer o teste de Covid-19 por precaução. Ela havia acordado com dor na garganta e queria descartar a possibilidade da doença. No entanto, ela testou positivo.

— Meus sintomas começaram ontem. Eu estava espirrando e com a garganta coçando. Além disso, eu estou com um bebê de 4 meses que há 12 dias está tossindo muito. Estou com o esquema vacinal completo, estou com as três doses, mas fiz o teste mesmo estando imunizada, porque a gente sabe que a imunização vai evitar os casos mais graves, mas que ninguém está 100% protegido. Antes de me testar, eu cheguei a falar com a minha pediatra e ela me aconselhou a fazer o exame, já que as pessoas estariam sendo infectadas novamente. Já recebi todas as orientações necessárias e agora eu estou tendo que driblar todas as questões para conseguir amamentar meu bebê — conta Sol.

O aumento do número de casos na cidade levou a prefeitura a recomendar o uso de máscaras a idosos, estudantes e pessoas com comorbidades. A Universidade Estadual do Rio (Uerj) retomou uso obrigatório da máscara. O equipamento de proteção individual também deve ser usado nos locais onde o espaçamento mínimo de um metro não possa ser praticado. Já o Colégio Pedro II também retomou o uso obrigatório em ambientes fechados, principalmente em salas de aula. A medida também vale em locais onde o distanciamento mínimo de um metro não possa ser praticado.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos