Procurador de Atalaia do Norte, onde está preso suspeito de sumiço de indigenista e jornalista, é um dos advogados de acusado

Chamou a atenção dos investigadores que acompanham o caso do desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, no Vale do Javari, a prontidão com que se apresentaram dois advogados para defender o suspeito Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado. E mais ainda pelo fato de serem procuradores dos municípios de Atalaia do Norte, onde Pelado está preso, e de Benjamim Constant, cidade vizinha. São eles Ronaldo Caldas e Davi Barbosa de Oliveira, respectivamente. O GLOBO apurou que existe uma interferência política para soltar Pelado, mas pressão essa que os próprios investigadores desconhecem, até o momento.

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Pelado passaria por uma audiência de custódia nesta quarta-feira, mas a juíza Jacinta Silva dos Santos resolveu deixar para esta quinta-feira, ainda sem horário definido.

Procurado , o prefeito de Atalaia do Norte, Denis Paiva (Patriota), ainda não retornou às ligações da reportagem. O GLOBO não conseguiu contato com o prefeito de Benjamin Constant, David Bemerguy (MDB).

Policiais militares que prenderam Pelado, nesta terça-feira, afirmaram ao GLOBO que a lancha do suspeito foi vista perseguindo o barco do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips logo depois que eles deixaram a comunidade de São Rafael, em Atalaia do Norte. Pelado foi preso e trazido para a cidade na própria lancha

Os dois desaparecidos viajavam com uma embarcação nova, com motor de 40 HP e 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem, e 07 tambores vazios de combustível. A lancha de pelado tem um motor 60 HP e é mais veloz.

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Testemunhas relataram aos policiais que a embarcação do suspeito, apreendida e trazida com ele até a cidade, passou em alta velocidade atrás de Bruno Pereira e Dom Phillips. A dupla deixava a comunidade São Rafael, em uma visita previamente agendada, para que o indigenista fizesse uma reunião com o líder comunitário apelidado de “Churrasco”, que é tio de Pelado. O objetivo do encontro era consolidar trabalhos conjuntos entre ribeirinhos e indígenas na vigilância do território, bastante afetado pelas intensas invasões.

“Churrasco” foi detido na segunda-feira à noite para prestar esclarecimentos como testemunha e liberado logo depois.

De acordo com os integrantes da equipe da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Pelado seria o pescador que ironizou o fato de o servidor licenciado andar armado e estar no Vale do Javari, onde prestava consultoria voluntária para os indígenas: "Quero saber se ele atira bem".

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Esse relato teria sido feito a policiais que foram para o local, o que teria motivado a detenção de Pelado. O procurador da Univaja, Eliesio Morubo, disse que o grupo de cerca de 15 a 29 pessoas, que testemunharam a ameaça, ainda deverá prestar depoimento mais detalhado sobre o fato quando retornar das buscas a Bruno e Phillips. Os ativistas voltavam da área de reserva quando cruzaram com os pescadores ilegais, entre eles, Pelado.

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