Procurador especial investiga posse de documentos do governo por Biden

Presidente dos EUA, Joe Biden

Por Sarah N. Lynch e Jarrett Renshaw

WASHINGTON (Reuters) - O procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick Garland, nomeou nesta quinta-feira um procurador especial para investigar se o presidente norte-americano, Joe Biden, manuseou indevidamente documentos confidenciais do governo, estabelecendo um inquérito paralelo a uma investigação em andamento sobre o ex-presidente Donald Trump.

O inquérito, que será conduzido por Robert Hur, pode influenciar a esperada campanha do presidente democrata à reeleição em 2024.

Garland disse que Hur, que atuou como o principal promotor federal em Maryland sob Trump, atuaria como um promotor quase independente para liderar um esforço para determinar se os registros classificados decorrentes do tempo de Biden como vice-presidente foram armazenados indevidamente em sua residência em Delaware e em um think tank em Washington.

A notícia significa que os dois prováveis rivais nas eleições de 2024 agora enfrentam investigações de promotores especiais, que normalmente são nomeados para casos politicamente delicados para garantir um certo grau de independência da liderança do Departamento de Justiça.

Uma distinção entre os dois casos é que os advogados de Biden disseram que entregaram os papéis quando os localizaram, enquanto Trump resistiu até que uma busca do FBI fosse conduzida em agosto, levantando dúvidas sobre se ele ou sua equipe obstruíram a investigação.

"Cooperamos de perto com o Departamento de Justiça durante sua revisão e continuaremos essa cooperação com o procurador especial", disse Richard Sauber, advogado de Biden, em um comunicado.

"Estamos confiantes de que uma revisão completa mostrará que esses documentos foram extraviados inadvertidamente, e o presidente e seus advogados agiram prontamente ao descobrir esse erro", acrescentou.

A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, disse que Biden não sabia que documentos confidenciais da época que foi vice-presidente estavam em um think tank em Washington ou em sua casa em Wilmington. A Casa Branca disse ainda que o presidente não sabia o que havia nesses documentos confidenciais, depois que Garland nomeou um procurador especial.

Garland disse no Departamento de Justiça que decidiu que um promotor especial era necessário após uma investigação inicial conduzida por John Lausch, o principal promotor federal da região de Chicago, nomeado por Trump em 2017. Garland disse que "as circunstâncias extraordinárias aqui exigem a nomeação de um procurador especial".

"Esta nomeação ressalta para o público o compromisso do departamento com a independência e a responsabilidade em assuntos particularmente delicados e com a tomada de decisões indiscutivelmente guiadas apenas pelos fatos e pela lei", acrescentou Garland, que não respondeu a perguntas.

Os republicanos no Congresso classificaram as novas descobertas de evidências como hipocrisia de Biden.

"É óbvio. Todo mundo pode ver, e está em exibição aberta para todos no país verem", disse o deputado republicano Mike Johnson. "Por que o Departamento de Justiça não entrou com vigor como fez com as acusações contra o presidente Trump?"

A Casa Branca divulgou na segunda-feira que documentos confidenciais do tempo de vice-presidente de Biden foram descobertos em novembro em um think tank em Washington, e advogados da Casa Branca disseram nesta quinta-feira que um segundo conjunto de documentos classificados da época foi encontrado em um depósito em sua casa em Delaware.

Garland nomeou um procurador especial, Jack Smith, em novembro para supervisionar as investigações do Departamento de Justiça relacionadas a Trump, incluindo o manuseio do ex-presidente republicano de documentos confidenciais e os esforços para anular a eleição de 2020. O anúncio veio depois que Trump disse que concorreria à Presidência novamente após ser derrotado por Biden em 2020.

Espera-se que Biden, de 80 anos, lance formalmente sua candidatura à reeleição nas próximas semanas. As revelações sobre os documentos já lhe causam preocupações políticas.

(Reportagem de Sarah N. Lynch, Jeff Mason, Jarrett Renshaw e Gram Slattery, reportagem adicional de Katharine Jackson)