Procurador-geral da República minimiza risco de contestação das eleições

Procurador-geral da República, Augusto Aras

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro (PL) provavelmente não vai contestar o resultado da eleição de outubro, disse nesta terça-feira o procurador-geral da República, minimizando os temores de líderes empresariais, diplomatas e políticos sobre a retórica antidemocrática do presidente.

Augusto Aras disse a jornalistas estrangeiros que a recusa em aceitar a derrota eleitoral seria uma “afronta à democracia”, mas acrescentou: "não nos preocupa o que vai acontecer. As instituições brasileiras estão todas comprometidas com o processo democrático”.

Bolsonaro tem criticado várias vezes as urnas eletrônicas do Brasil, alegando que elas são suscetíveis a fraudes, sem apresentar provas. Suas acusações geraram preocupações de que ele está preparando o terreno para se recusar a reconhecer a derrota, caso perca a eleição para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atual líder das pesquisas eleitorais.

Aras disse estar confiante que, caso Bolsonaro não consiga a reeleição, um novo presidente será empossado em 1º de janeiro.

"Não quero crer que após 1º de janeiro, se o presidente não lograr êxito na reeleição, vá permanecer no Palácio de Planalto ou da Alvorada, porque isso seria uma afronta à democracia,” disse Aras.

O procurador-geral, indicado por Bolsonaro em 2019, disse que não é função do Poder Judiciário especular, mas trabalhar com provas de ilegalidades.

Questionado sobre as urnas eletrônicas que Bolsonaro tem contestado, Aras afirmou que na verdade elas colocaram um ponto final em fraudes eleitorais desde que foram adotadas em 1996.

Mas acrescentou que o sistema está aberto a melhorias e que mudanças podem ser introduzidas até as eleições de 2026, como uma maior participação da sociedade civil e de instituições estatais no monitoramento da votação, como foi defendido por Bolsonaro.

“Nós precisamos preservar a legitimidade do processo eleitoral. As urnas eletrônicas puseram fim a um conjunto de fraudes que existiam antes da existência delas”, disse Aras.

(Reportagem de Anthony Boadle)