Procurador-geral dos EUA vai depor no Congresso sob acusação de favorecer Trump

O procurador-geral dos Estados Unidos, Bill Barr, concordou em testemunhar perante o Congresso sobre supostos favorecimentos ao presidente Donald Trump

O procurador-geral dos Estados Unidos, Bill Barr, concordou em testemunhar perante o Congresso em meio a acusações de que ele derrubou as políticas do Departamento de Justiça para ajudar politicamente o presidente Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (12) o Comitê Judiciário da Câmara.

Após um ano se recusando a comparecer, Barr testemunhará em 31 de março, informou o Comitê numa carta ao chefe da Justiça.

A carta, assinada pelo presidente do comitê, Jerry Nadler, e vários membros democratas do organismo, indica que há profundas preocupações com a conduta de Barr em questões jurídicas envolvendo o presidente.

"Desde que o presidente Trump assumiu o cargo, advertimos repetidamente a você e seus antecessores que o uso indevido do nosso sistema de justiça criminal para fins políticos é perigoso para a nossa democracia e inaceitável para o Comitê Judiciário da Câmara", aponta o documento.

Os democratas citam na carta como exemplos fatos ocorridos "na semana passada", como a decisão de Barr, supostamente sob pressão de Trump, de rejeitar o que foi resolvido por seus próprios promotores e buscar uma sentença de prisão mais leve para o veterano consultor político republicano Roger Stone, que foi condenado por mentir em depoimento ao Congresso e manipular testemunhas.

Essas supostas pressões levaram ao pedido de demissão na terça-feira de quatro promotores do Departamento de Justiça que estavam aceitando o caso em aparente protesto por interferência política.

A carta também cita a revelação de Barr de que ele havia aberto um canal no departamento para coletar informações para investigações relacionadas à Ucrânia, o país no centro do recente processo de impeachment de Trump no Congresso, no qual ele foi absolvido no Senado.

O comitê também questionou a recente remoção da promotora-chefe federal de Washington, Jessie Liu.

Liu supervisionou a acusação de Stone e outros dois ex-assessores próximos de Trump: o presidente da campanha eleitoral de 2016, Paul Manafort, e Michael Flynn, ex-consultor de segurança nacional da Casa Branca.