Procurador-geral libanês processa juiz encarregado de investigar explosão em Beirute

O procurador-geral libanês afirmou nesta quarta-feira (25) à AFP que decidiu processar o juiz Tarek Bitar pela explosão no porto de Beirute em 4 de agosto de 2020.

Na segunda-feira, o juiz de instrução decidiu retomar sua investigação sobre a tragédia, após uma pausa de 13 meses devido à forte pressão política.

Bitar indiciou várias autoridades de alto escalão, incluindo o próprio procurador-geral do Tribunal de Cassação, Ghassan Oueidate, e dois altos funcionários do aparelho de segurança.

Depois da reviravolta desta quarta-feira, agora é o próprio juiz Bitar quem é acusado de "rebelião contra a justiça" e "usurpação de poder", anunciou o procurador-geral Oueidate.

O juiz Bitar foi proibido de deixar o Líbano, acrescentou Oueidate.

Tarek Bitar deve se apresentar na manhã desta quinta-feira, segundo um oficial de justiça que pediu anonimato.

O procurador-geral do Tribunal de Cassação também ordenou a libertação das 17 pessoas detidas sem julgamento desde a explosão que deixou mais de 215 mortos e devastou parte da capital.

Entre essas 17 pessoas estão um cidadão americano e os diretores da alfândega e do porto de Beirute.

A explosão foi causada pelo armazenamento descuidado de centenas de toneladas de nitrato de amônio no depósito do porto.

Grande parte da população libanesa atribui a explosão à negligência e corrupção da classe política, também acusada pelos familiares das vítimas de obstruir a investigação para evitar processos.

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