Procurador da ONU pede que tesoureiro do genocídio em Ruanda vá para Haia

Um 'X' sobre as fotos de Félicien Kabuga, detido em Paris, em uma ordem de busca em Kigali, Ruanda, 11 de maio de 2020

O procurador do Mecanismo de Tribunais Penais Internacionais (MTPI) pediu nesta quarta-feira (20) a transferência temporária para Haia (Holanda) e não a Arusha (Tanzânia) do suspeito de ser o 'tesoureiro' do genocídio em Ruanda Félicien Kabuga, detido sábado na França após 25 anos foragido.

"A acusação solicita ao presidente modificar em caráter de urgência o mandato de detenção e a ordem de traslado de Félicien Kabuga para permitir o traslado temporário ao braço de Haia do mecanismo ao invés do braço de Arusha, levando em conta a pandemia atual da COVID-19", declarou o procurador do MTPI, Serge Brammertz, em um documento entregue ao presidente do mecanismo.

Quatro dias após sua detenção nos arredores de Paris, Kabuga, que está em uma prisão em Paris, se apresentou na quarta-feira pela primeira vez publicamente perante a justiça e disse que queria "ser julgado na França". Em 27 de maio, ele deve comparecer novamente perante a justiça.

A Câmara de instrução da Corte de Apelação de Paris deve examinar a validade da ordem de detenção emitida pelo MTPI - estrutura encarregada de concluir os trabalhos do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR) e depois emitir um parecer, favorável ou não, sobre a sua entrega.

Kabuga é acusado pelo MTPI de "genocídio", "incitação direta e pública a cometer genocídio" e de "crimes contra a humanidade" (perseguição e extermínio).

É acusado de ter criado as milícias Interahamwe, principal braço armado do genocídio de 1994 que deixou 800.000 mortos em Ruanda, a maioria tutsis, segundo a ONU.