Procurador que agrediu chefe em Registro poderá ter que pagar R$ 16 mil

O procurador Demétrius Oliveira de Macedo agrediu sua chefe dentro da Prefeitura de Registro. (Foto: Reprodução)
O procurador Demétrius Oliveira de Macedo agrediu sua chefe dentro da Prefeitura de Registro. (Foto: Reprodução)
  • Agressão foi registrada em vídeo

  • Procurador terá de responder por tentativa de feminicídio

  • Lei que instaura processos administrativos por discriminação de gênero foi sancionada em 2022

O procurador Demétrius Oliveira de Macedo, que atacou a procuradora-geral de Registro, no interior de São Paulo, Gabriela Samadello Monteiro de Barros, poderá ser multado em R$ 16 mil pelo crime, ao fim do processo.

Gabriela foi agredida pelo também procurador dentro da própria prefeitura, onde trabalham. A violência foi registrada por outra funcionária e o vídeo, que circula nas redes sociais, mostra o homem dando chutes e socos contra a colega de trabalho, que ficou com o rosto ensanguentado.

Ele foi preso no dia 23 de junho. Ele terá de responder por tentativa de feminicídio.

Investigações administrativas para apurar casos de conduta que contradizem a igualdade de gênero são recentes. Conforme explicou o secretário Fernando José da Costa ao portal G1, apenas em 2021 se criou uma lei para punir a discriminação contra mulheres, que foi sancionada apenas em março de 2022.

“A partir de agora, no estado de São Paulo, quem praticar qualquer discriminação contra uma mulher, física ou juridicamente, vai ser punido administrativamente. As denúncias podem ir além da violência doméstica, entra também a discriminação por uma não oportunidade de emprego, melhor salário e ofensa verbal”, afirmou.

Ele acrescentou que a denúncia administrativa pode ser feita por qualquer pessoa, mediante a apresentação de algum registro, como fotos e vídeos.

“Essas medidas também são pedagógicas, pois educam as pessoas a respeitarem as mulheres. Quando dói no bolso as pessoas pensam antes de em praticar ou não uma violência como essa”, explicou.

Procurador já havia sido afastado

A Prefeitura de Registro, no interior de São Paulo, afirmou que antes de agredir a chefe, o procurador Demétrius Oliveira de Macedo, de 34 anos, tinha pedido exoneração do cargo. Macedo deixou as funções no dia 25 de novembro de 2020 e ficou afastado por pouco mais de sete meses.

De acordo com a administração, o procurador dizia ter dificuldade de relacionamento com a equipe da procuradora Gabriela Samadello Monteiro de Barros, que era sua chefe. Ele também afirmava ter sido vítima de assédio moral da chefe na época, o que ela negou. O procurador só voltou ao trabalho por decisão da Justiça, no dia 28 de junho de 2021.

Demétrius seguiu no cargo até segunda-feira (20), quando espancou Gabriela. Na terça (21), a Prefeitura de Registro comunicou no Diário Oficial a suspensão preventiva de Macedo. Ele foi preso na quinta-feira (23) e no dia seguinte passou por uma audiência de custódia. Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) argumentou que o Demétrius vai continuar preso porque o juízo não verificou ilegalidade no cumprimento do mandado de prisão do acusado.

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