Trump e três filhos processados em Nova York por evasão fiscal

A procuradora-geral do estado de Nova York, Letitia James, anunciou nesta quarta-feira (21) ações civis contra o ex-presidente americano Donald Trump e três de seus filhos, depois de investigar as práticas fiscais do grupo empresarial da família, a Trump Organization.

"Estamos tomando medidas legais contra Donald Trump por violar a lei (...) a fim de gerar lucro para ele, sua família e seus negócios", declarou a procuradora em entrevista coletiva.

James disse ainda que demandará US$ 250 milhões em indenizações em nome do estado de Nova York, assim como proibições corporativas para Donald Trump e seus filhos Donald Trump Jr., Ivanka e Eric.

Além dos processos da Procuradoria do estado de Nova York, há várias investigações em curso envolvendo Trump. Entre elas, está uma sobre arquivos oficiais em poder do ex-presidente que levou a uma busca, por parte do FBI (a Polícia Federal americana), na residência do magnata republicano em Mar-a-Lago, na Flórida.

Seus advogados tentaram bloquear o acesso do governo  a estes arquivos, com um pedido para que um árbitro independente examine os documentos para determinar se algum entra na categoria de privilégios legais especiais.

Uma juíza federal deu razão a Trump e permitiu a nomeação de um 'mestre especial' para examinar os arquivos, mas o governo apresentou recurso contra a decisão de bloquear o acesso aos documentos marcados como confidenciais.

Um painel de apelação de três juízes, dois deles nomeados durante o governo Trump, concordou na quarta-feira que o governo deve recuperar o acesso aos documentos confidenciais.

O republicano, de 76 anos, também está sendo investigado por seu papel no ataque ao Capitólio dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021 e por suas tentativas de anular as eleições presidenciais em 2020.

O 45º presidente dos Estados Unidos (2017-2021), que considera se candidatar novamente em 2024, ainda não foi processado penalmente em nenhum destes casos.

- "Nova caça às bruxas" -

A denúncia da procuradoria de Nova York, apresentada à Corte Suprema do estado, "demonstra que Donald Trump inflou falsamente o patrimônio líquido (de seus bens) em bilhões de dólares para enriquecer ilicitamente e enganar o sistema e a todos nós", garantiu James.

Segundo ela, o valor dos bens foi "manipulado repetida e persistentemente" para "incentivar os bancos a emprestar dinheiro à Organização Trump em condições mais favoráveis", "pagar menos impostos" e "induzir às companhias de seguros a oferecer coberturas mais altas a preços mais baixos".

"Em resumo, mentiu para obter grandes benefícios financeiros", advertiu.

Em sua rede social Truth Social, o ex-presidente denunciou "uma nova caça às bruxas", acusando James de perseguição política.

"Letitia James é a procuradora mais corrupta da história dos Estados Unidos", afirmou seu filho Eric Trump, processado como vice-presidente executivo da Organização Trump.

"Uma história de dois sistemas de justiça: sim, na qual os criminosos continuam livres e os democratas perseguem seus opositores políticos!", escreveu a porta-voz de Trump, Liz Harrington, na rede Truth Social.

Campos de golf, a Torre Trump em Nova York, a residência Mar-a-Lago em Palm Beach: a equipe de James elencou os contenciosos em 222 páginas, que também apontam o ex-diretor financeiro da Organização Trump, Allen Weisselberg, e seu controlador financeiro, Jeffrey McConney.

Weisselberg já se declarou culpado ao promotor do distrito de Manhattan de 15 acusações de fraude e evasão de impostos relativos a 1,7 bilhões de dólares não declarados entre 2005 e 2021.

A Organização Trump será julgada por estes fatos em um processo que começa em 24 de outubro.

James disse que seu gabinete, que não tem competência para apresentar ações penais, enviou os autos ao sistema de justiça penal, e também os relacionados ao serviço fiscal americano (IRS).

"O crime financeiro de colarinho branco não é um crime sem vítimas", disse a promotora.

"Quando as pessoas com influência violam a lei para receber mais dinheiro do que têm direito são reduzidos os recursos destinados aos trabalhadores, à população em geral, às pequenas empresas e a todos os contribuintes".

A ação de James pede a "proibição" para Donald Trump e da Organização Trump "de participar em qualquer aquisição de bens comerciais no estado de Nova York e de solicitar empréstimos de qualquer instituição financeira", indicou.

Trump e seu entorno familiar são investigados desde 2018, quando o promotor do distrito de Manhattan começou uma pesquisa sobre o então presidente.

A investigação civil de James começou no ano seguinte, depois que o depoimento de um ex-advogado de Trump, Michael Cohen, indicou que a empresa incorreu em práticas indevidas.

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