Procuradora-geral quer investigação de 'corrupção' no governo Maduro

Disciplinada e de caráter firme, a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, quem a Justiça convocou para depor e proibiu de sair do país nesta quarta-feira, é uma chavista histórica, que protagonizou polêmicas acusações contra a oposição e é hoje uma dura adversária do presidente Nicolás Maduro

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, pediu nesta segunda-feira (19) que se investiguem denúncias de corrupção no governo do presidente Nicolás Maduro.

O pedido foi feito a centenas de funcionários de seu gabinete, os quais foram às ruas hoje para apoiá-la.

"Por que não há alimentos e remédios? Será que os recursos são usados para fins distintos? Não sei, não posso garantir, mas seria bom que os procuradores anticorrupção investigassem", declarou Luisa, que discursou na sede da Procuradoria, no centro de Caracas.

"É preciso investigar o assunto das drogas", continuou Ortega, sem especificar se há suspeitas sobre funcionários públicos envolvidos.

Chavista históriCa, a procuradora-geral enfrenta Maduro e o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) por sentenças que, segundo ela, romperam a ordem constitucional. Além disso, Luisa Ortega rejeita as bases estabelecidas pelo presidente para convocar a Assembleia Constituinte no país.

Funcionários de alto escalão do governo, entre eles o vice-presidente Tareck El Aissami, sofreram sanções por parte dos Estados Unidos, acusados de ligação com o tráfico de drogas.

"Força, Luisa Ortega. Nós a apoiamos em defesa da Constituição e dos direitos humanos", dizia um dos cartazes levados por um dos funcionários.

"Enquanto tiver forças, estarei trabalhando para garantir o respeito à Constituição", prometeu Ortega.

A procuradora também denunciou "infrações" nas "batidas em massa" realizadas por militares durante a onda de protestos da oposição no país. Em 80 dias, chega a 73 o número de mortos em eventos ligados às manifestações.

Nesse clima de tensão, Ortega apresentou ao TSJ vários recursos contra a Constituinte. Ela defende que a convocação precisa ser validada em referendo e que os procedimentos estabelecidos para a escolha dos constituintes, em 30 de julho próximo, é ilegal.

Também solicitou ao TSJ que autorize um julgamento contra oito de seus juízes. Todas as ações foram indeferidas pelo Supremo.

"Estamos defendendo a Constituição dos ataques do governo de Maduro, que se diz chavista e está violando a Constituição promovida por Hugo Chávez", disse à imprensa Nicmer Evans, que integra a Maré Socialista, um grupo de seguidores do falecido presidente que agora se opõe a Maduro.

O marido de Luisa Ortega, o deputado chavista Germán Ferrer, também participou da mobilização.

De um estrado instalado nesse mesmo local para uma concentração pró-governo que aconteceria depois, partidários de Maduro hostilizaram Ortega.

"Assassinos!", devolviam os funcionários da Procuradoria.

Na última sexta-feira (16), o parlamentar chavista Pedro Carreño pediu ao TSJ que autorize a abertura de processo contra Luisa Ortega por "mentir" no exercício de suas funções.