Procuradora-geral do TPI faz primeira visita a Darfur, no Sudão

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A procuradora-chefe do TPI, Fatou Bensouda

A procuradora-geral do Tribunal Penal Internacional (TPI), Fatou Bensouda, iniciou neste domingo (30) sua primeira visita a Darfur, uma região do Sudão devastada por duas décadas de guerra civil e que é objeto de uma investigação internacional, reportou a agência oficial Suna.

Após ter feito uma primeira visita ao Sudão em outubro de 2020, Bensouda é a primeira chefe do TPI a viajar para esta região assolada pelo conflito.

Para a magistrada, citada pela Suna, visitar Darfur é "um sonho que virou realidade".

O conflito na região começou em 2003, quando membros de minorias étnicas tomaram as armas contra o regime de Cartum, dominado pela maioria árabe. Segundo a ONU, 300.000 pessoas morreram e 2,5 milhões ficaram deslocadas.

Fatou Bensouda chegou neste domingo a El-Fasher, capital do estado de Darfur do Norte, após se reunir com Minni Minnawi, governador de Darfur e chefe de um antigo grupo rebelde - o Exército de Libertação do Sudão - na véspera em Cartum.

"Aplaudo a resiliência e a coragem do povo de Darfur", declarou a magistrada em um tuíte do TPI, qualificando o encontro como "produtivo".

Segundo a Suna, a encarregada visitou os campos de deslocados, onde se reuniu com representantes das vítimas do conflito.

Em 2009, o TPI emitiu uma ordem de prisão internacional contra o ex-presidente Omar al Bashir, que dirigiu o Sudão com mão-de-ferro durante três décadas, até ser destituído em abril de 2019. O Tribunal o acusa de genocídio.

Declarado culpado de corrupção em dezembro de 2019, al Bashir, de 76 anos, está detido em Cartum.

Além de Al Bashir, outros dois suspeitos, o ex-governador do estado do Kordofan do Sul, Ahmed Haroun, e Abdel Rahim Mohamed Hussein, ex-ministro da Defesa, são requisitados pelo TPI pelos mesmos motivos. Os dois estão detidos no Sudão.

Em 2020, o governo sudanês de transição se comprometeu a colaborar com o TPI para levar os acusados à justiça.

Fatou Bensouda deixará suas funções em junho, quando será substituída pelo advogado Karim Khan, especialista em direitos humanos.

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