Procuradores deixam defesa de suspeito de envolvimento no desaparecimento de indigenista e jornalista inglês

Os procuradores dos municípios de Atalaia do Norte e Benjamim Constant, Ronaldo Caldas e Davi Barbosa de Oliveira, abandonaram a defesa de Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, suspeito de envolvimento no desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips. Até o momento, não se sabe se Amarildo de Oliveira terá um novo advogado.

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— Embora não tivesse relação com o cargo de Procurador, visto que se tratava de uma causa particular, achei por bem deixar a defesa do Amarildo. — disse, ao GLOBO, Davi Barbosa.

A Prefeitura de Atalaia do Norte, no Amazonas, afirmou nesta quinta-feira que não tem relação com Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, considerado pela polícia o principal suspeito do desaparecimento da dupla, no Vale do Javari.

Em nota, a Prefeitura afirma que Caldas "foi procurado pela família" para defender Pelado, pois ele "também atua como advogado particular". O comunicado também diz que "o serviço não tem qualquer relação com a gestão municipal".

"Não há qualquer impedimento ou incompatibilidade que prive o advogado de exercer suas atribuições legais. Vale ressaltar que o município de Atalaia do Norte possui um número limitado de advogados, com apenas dois profissionais do ramo residindo na cidade", afirma a nota.

Pelado também era defendido pelo procurador de Benjamim Constant, cidade vizinha a Atalaia do Norte. Trata-se do advogado Davi Barbosa de Oliveira. A contratação dos dois profissionais chamou a atenção dos investigadores.

O GLOBO não conseguiu contato com o prefeito de Benjamin Constant, David Bemerguy (MDB). O espaço está aberto para manifestações dos citados.

Uma testemunha considerada chave afirmou que viu Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado, carregar uma espingarda e fazer um cinto de munições e cartuchos pouco depois que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips deixaram a comunidade São Rafael com destino à Atalaia do Norte, na manhã do último domingo. O GLOBO teve acesso ao relato.

De acordo com a narrativa da testemunha, Pelado, a quem se referiu como “homem muito perigoso”, já vinha prometendo “acertar contas” com Bruno e afirmou que iria “trocar tiros” com ele tão logo o indigenista aparecesse no local.

Logo depois que Bruno e Phillips deixaram a comunidade, um colega de Pelado foi visto em seu barco com o motor ligado em ponto morto, à espera dele, e outra pessoa deitada no barco, perto de onde Bruno e Phillips supostamente desapareceram. A testemunha contou ainda que, logo mais abaixo do rio Itaquaí, Pelado foi novamente visto no barco, desta vez com mais quatro pessoas passando em alta velocidade. Depois disso, não foi visto mais. Ela disse ainda que não “resta dúvidas” de que ele e os demais foram atrás da embarcação para fazer “algo de ruim” contra o barco do indigenista e do jornalista.

O relato da testemunha, que deve ser colocado em um programa de proteção, coincide com a revelação do GLOBO de que policiais militares que prenderam Pelado, nesta terça-feira, confirmaram que a lancha do suspeito foi vista perseguindo o barco do indigenista e do jornalista logo depois que eles deixaram a comunidade São Rafael. Pelado foi preso e trazido para a cidade na própria lancha.

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