ONU denuncia assassinatos não justificados durante protestos na Nicarágua

Genebra, 24 abr (EFE).- O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciou nesta terça-feira que várias mortes ocorridas nos protestos antigovernamentais na Nicarágua poderiam equivaler a "assassinatos não justificados".

"Recebemos informações de pelo menos 25 mortos no marco dos protestos na Nicarágua. Estamos particularmente preocupados porque várias destas mortes poderiam ser definidas como assassinatos não justificados", afirmou a porta-voz do Escritório Elizabeth Throssell, que pediu às autoridades nicaraguenses uma investigação rápida, profunda, independente e transparente destas mortes.

"É essencial que todas as alegações de uso excessivo da força pelas forças policiais e outros corpos de segurança sejam investigadas efetivamente e que todos os responsáveis assumam suas responsabilidades", disse na entrevista coletiva da ONU em Genebra.

Throssell afirmou também que estava "muito preocupado" pelas informações de que "várias pessoas foram detidas" durante os últimos dias.

Além disso, a porta-voz disse que é preciso investigar todos os casos.

A porta-voz lembrou que, apesar de a reforma da Previdência que detonou o conflito ter sido derrogada, são esperadas mais manifestações nos próximos dias.

Por isso, pediu às autoridades que permitam "o livre exercício da liberdade de expressão, assembleia e associação" a todos os cidadãos, incluídos os defensores dos direitos humanos que estão monitorando o que ocorre.

Além disso, Throssell pediu que parem os ataques aos jornalistas e aos meios de comunicação que tentaram cobrir os protestos, e solicitou aos manifestantes que protestem de forma pacífica.

A porta-voz indicou que o Escritório de Direitos Humanos da ONU continuará supervisionando o que ocorre no terreno, apesar de não contar com pessoal na Nicarágua.

A ONU "durante anos" solicita isso, sem que as autoridades tenham dado a autorização para isso, explicou. EFE