Procuradoria da Alerj nega pedido de deputados investigados para assumirem mandatos

Selma Schmidt

RIO - A Procuradoria da Assembleia Legislativa (Alerj) negou pedido para que quatro dos deputados presos na operação Furna da Onça, um desdobramento da Lava-Jato, em novembro de 2018, assumam seus mandados. André Corrêa (DEM), Marcus Vinícius Neskau (PTB), Marcos Abrahão (Avante) e Chiquinho da Mangueira (PSC) protocolaram o pedido na Procuradoria da Alerj e na Mesa Diretora, conforme informou o colunista Ancelmo Gois, do GLOBO.

Os quatro parlamentares - além de Luiz Martins (PDT) - foram soltos por decisão da Alerj, há cerca de um mês. Foram 39 votos favoráveis para os cincos serem soltos e 25 contrários. Na mesma decisão, a condição estabelecida para saírem da prisão (Chiquinho estava em prisão domiciliar e os demais, no xadrez) foi a de que não assumissem seus mandatos nem ocupassem seus gabinetes.

Segundo a assessoria da Alerj, a Procuradoria da Casa negou a solicitação porque "o tema já foi objeto de deliberação em plenário pela maioria absoluta dos deputados, em sessão do dia 22 de outubro, quando foi decidida a revogação da prisão cautelar com afastamento do mandato dos parlamentares eleitos".

Os parlamentares investigados foram beneficiados por decisão da ministra Carmén Lúcia, do Supremo Tribunal Federa (STF). Ela entendeu ser responsabilidade da Alerj a soltura ou a manutenção da prisão dos deputados.

Reeleitos ano passado, os cinco deputados não chegaram a tomar posse em janeiro último. Os seus suplementes foram convocados.

Os deputados fazem parte de um grupo de 22 pessoas presas na Furna da Onça, que investigava um esquema de pagamento de propina comandado pelo ex-governador Sergio Cabral. Eles são acusados de receber dinheiro em troca de votos para projetos de interesse no governo na Alerj. Conforme a denúncia, os parlamentares receberiam valores mensais entre R$ 20 mil e R$ 100 mil. O esquema teria começado em 2017, se estendendo até novembro do ano passado.