Procuradoria da Bolívia denuncia dois ex-ministros de Áñez por tráfico de armas

A Procuradoria da Bolívia denunciou dois ministros da  ex-presidente transitória direitista Jeanine Áñez por "tráfico ilegal de armas", acusados de importação ilegal de equipamentos antidistúrbios do Equador em 2019, informou um funcionário nesta sexta-feira (17).

"O Ministério Público proferiu uma denúncia formal" contra os ex-ministros do Governo (Casa Civil), Arturo Murillo, e da Defesa, Luis Fernando López, disse o secretário-geral da Procuradoria, Edwin Quispe, em coletiva de imprensa.

A decisão foi anunciada uma semana depois de Áñez foi condenada a dez anos de prisão, acusada de liderar um golpe de Estado em 2019 contra seu antecessor, o esquerdista Evo Morales. Esta sentença provocou críticas internacionais e dúvidas sobre a independência da justiça na Bolívia.

Murillo está detido nos Estados Unidos pelo crime de corrupção e está à espera de sua sentença, enquanto López estava no Brasil.

Quispe informou que os dois foram denunciados "no âmbito do caso denominado armamento não letal do Equador".

Tratam-se dos supostos crimes de "tráfico ilícito de armas, porte ou posse e uso de armas não convencionais e descumprimento de deveres em grau de coautoria", segundo a acusação.

O tráfico de armas é punido pelo código civil boliviano com penas de 10 a 15 anos de prisão.

A Procuradoria afirma que, após a chegada de Áñez ao poder em novembro de 2019, ambos os ministros participaram da aquisição de equipamentos antimotins no Equador para sufocar os protestos de partidários de Morales.

Estes protestos terminaram com 35 mortos, segundo uma investigação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

"Vários elementos dão conta da participação direta e imediata em uma reunião de Murillo e López com a senhora Jeanine Áñez", para a importação junto com a então ministra da Comunicação, Roxana Lizárraga, disse Quispe.

"Lizárraga teria feito contato com o pessoal policial da República do Equador no qual teria acordado que este país possa facilitar equipamentos antimotins, gases e outros explosivos", segundo a Procuradoria.

A ex-ministra, que se estima que estaria no Peru, não foi denunciada.

O atual governo do esquerdista Luis Arce e o governista Movimento Ao Socialismo, liderado por Morales, afirmam que os governos de Lenín Moreno no Equador e de Mauricio Macri na Argentina, a União Europeia, a OEA e a Igreja Católica apoiaram o "golpe de Estado" contra o presidente indígena.

Após a demissão de Morales, após 14 anos no poder, Áñez, que era a segunda vice-presidente do Senado, o sucedeu dois dias depois.

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