Procuradoria denuncia bolsonarista Allan dos Santos por ameaça a ministro Barroso, do STF

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  05-11-2019, 18h00: O jornalista Allan Santos, do Site Terça Livre, presta depoimento à CPMI das Fake News, no Senado Federal. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 05-11-2019, 18h00: O jornalista Allan Santos, do Site Terça Livre, presta depoimento à CPMI das Fake News, no Senado Federal. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Procuradoria da República no Distrito Federal denunciou nessa terça-feira (17) o blogueiro Allan dos Santos por incitação ao crime e também crime de ameaça ao ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

De acordo com a acusação, enviada à Justiça Federal do DF, Allan utilizou o Terça Livre, seu canal no YouTube, para "desafiar o magistrado a enfrentá-lo pessoalmente".

O apresentador do Terça Livre é uma espécie de líder informal das redes bolsonaristas. É muito ligado ao vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho 02 do presidente Jair Bolsonaro.

"Allan assegurou na ocasião que seria capaz de fazer mal a Barroso se ambos tivessem contato fora dos meios digitais", afirmou o Ministério Público Federal.

Na avaliação da Procuradoria no DF, o caso superou os limites do razoável na livre expressão de pensamento e opinião e intimidou a vítima com a promessa de mal injusto. Os fatos abordados na denúncia ocorreram em novembro do ano passado.

"No vídeo intitulado 'Barroso é um miliciano digital', Allan profere palavras de ódio, baixo calão e em tom claramente ameaçador, afirmando: 'Tira o digital, se você tem culhão! Tira a p**** do digital, e cresce! Dá nome aos bois! De uma vez por todas Barroso, vira homem! Tira a p**** do digital! E bota só terrorista! Pra você ver o que a gente faz com você. Tá na hora de falar grosso nessa p****!", descreve o documento.

Ao comentar o ataque hacker aos sistemas do TSE em meio às eleições municipais, Barroso afirmou que "milícias digitais entraram imediatamente em ação, tentando desacreditar o sistema“.

O magistrado declarou que havia suspeita de articulação de grupos voltados a desacreditar as instituições e muitos deles são investigados no STF. Era uma referência aos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos, apurações que miram bolsonaristas, incluindo Allan.

Após tomar conhecimento das falas do blogueiro, Barroso representou contra ele ao Ministério Público Federal, solicitando a adoção de medidas cabíveis.

“[As declarações de Allan] estão excluídas do âmbito de cobertura da liberdade de expressão, porquanto configuram proibições expressas dispostas no direito internacional dos direitos humanos”, disse a Procuradoria.

Segundo os integrantes do MPF, o Brasil é um dos signatários de marco jurídico internacional segundo o qual a incitação à violência e ao crime devem ser proibidas a fim de manter a ordem pública e democrática.

Os procuradores reuniram tuítes e publicações veiculadas em plataformas de redes sociais ligadas a Allan. “Foi identificado um comportamento habitual e intencional do denunciado em proferir ameaças contra ministros do STF”, afirmaram.

A conduta do aliado do presidente, acrescentaram os investigadores, denota “parte de uma campanha intencional e extensiva do denunciado para disseminar ódio contra os magistrados da Suprema Corte".

"Tais condutas podem apresentar riscos reais e severos à vítimas, visto que, para além de Allan dos Santos ameaçar o ministro Barroso, também suscita, por meio de suas declarações, ouvinte adeptos de tais conceitos intimidadores", disseram na denúncia.

O MPF destacou o poder de alcance das redes sociais, o que torna as declarações investigadas ainda mais perigosas. O ambiente virtual propiciou incentivo público às falas de Allan, direcionadas a pessoas indeterminadas em verdadeiro contexto de incitação ao crime, afirmou a Procuradoria.

OUTRO LADO

Em nota à imprensa divulgada no Terça Livre, Allan negou que tenha feito ameaças ao ministro do Supremo.

"O que foi tratado no programa foi o potencial dano à honra das pessoas da internet pelos termos empregados pelo ministro e eventual responsabilização legal do ministro na Justiça ('para não sofrer uma ação') por qualquer pessoa da internet que tenha se sentido ofendida", afirmou, no comunicado.

O Terça Livre reproduziu a fala de Barroso na ocasião: “Uma versão contemporânea do autoritarismo são essas milícias digitais que atuam na internet, procurando destruir as instituições e golpeá-las, criando um ambiente propício para a desdemocratização”.

E, na sequência, a fala de Allan: "É um menino mimado, isso é que é o Barroso. Só que é um menino mimado perigoso, um menino mimado que defende liberdade pra maconha, é um menino mimado que fica chamando as pessoas de terroristas, aí bota o termo “digital” para não sofre uma ação".

"Eu desafio o Barroso. Barroso, todos que você chama de terroristas digitais ou milicianos digitais, tira o digital [do termo milícia digital] se você tem culhão, tira a porra do digital e cresce."

"Dá nome aos bois, de uma vez por todas Barroso, vira homem! Tira a porra do digital e bota só terrorista pra você ser o que a gente faz com você. Tá na hora de falar grosso nessa porra! Chama só de miliciano. Esquece o Barroso.”

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