Procuradoria diz que PF fez atendimento 'célere e respeitoso' de presos após ataques golpistas

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 08.01.2023 - Golpistas invadem a praça dos Três Poderes, em Brasília. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O MPF (Ministério Público Federal) constatou atendimento "célere e respeitoso" por parte da Polícia Federal às mais de mil pessoas detidas após os atos golpistas do 8 de janeiro.

Em visita na terça-feira (10) à Academia Nacional de Polícia, local para onde foram levados os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), procuradores da República que atuam em Brasília afirmaram que "o trabalho desenvolvido pela Polícia Federal exigiu um enorme esforço de logística" e que foi verificado "tratamento cordato" tanto das pessoas presas quanto a advogados.

Seis representantes do MPF, órgão que tem entre suas atribuições o controle externo da atividade policial e a fiscalização contra o desrespeito aos direitos humanos, produziram um relatório sobre a vistoria.

Os procuradores anotaram que era grande o número de pessoas custodiadas, mas a logística da PF empregada para o atendimento fluiu com "agilidade e organização". Havia equipes para atendimento médico de prontidão, ainda de acordo com o relatório.

Foram relatadas a eles dificuldades ocorridas no atendimento na segunda (9), dia da prisão e chegada dos acusados à academia, mas que rotinas foram redefinidas "para garantir uma maior agilidade".

"Diversas equipes de fora de Brasília foram mobilizadas para auxiliar no trabalho realizado e presenciamos o grande empenho de todos na prestação de um atendimento célere e respeitoso."

A PF encerrou a tomada de depoimento dos bolsonaristas envolvidos nos ataques às sedes do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Das 1.843 pessoas detidas no acampamento no Quartel-General do Exército na segunda (9), 1.159 foram encaminhadas para a prisão; outras 684, a maioria mulheres, crianças e idosos, foram liberadas.

O Conselho Tutelar do DF afirmou, em nota, que esteve no local na segunda e passou a acompanhar os atendimentos que estavam sendo realizados pelos policiais junto às famílias que estavam com crianças. Disse que foram atendidas aproximadamente 20 famílias e 23 crianças e adolescentes.

"Todas saíram acompanhadas de seus representantes legais, sendo certo que não foi necessário, pelo Conselho Tutelar, realizar nenhum abrigamento", disse o órgão.

Pessoas ouvidas pela reportagem que participaram do atendimento de saúde dos detidos disseram que o local não era adequado para crianças. Procurada, a PF não deu detalhes sobre crianças e adolescentes que estiveram no local.

Por ocasião da visita dos procuradores, de acordo com o relatório da inspeção, não havia mais crianças. Foi ainda informado a eles que algumas pessoas, após a devida identificação e triagem a partir de condições pessoais informadas nos depoimentos, foram liberadas. Outra parte do grupo já havia sido encaminhada ao presídio da Papuda e à penitenciária feminina da Colmeia.

"As pessoas que ainda aguardavam na ANP estavam espalhadas pelo ginásio, na área ao ar livre e nos corredores do prédio onde estavam sendo realizados os atendimentos para lavratura do termo de flagrante", afirmaram os integrantes do MPF.

"Verificamos que o trabalho desenvolvido pela PF exigiu um enorme esforço de logística para dar andamento às milhares de prisões, envolveu um contingente numeroso de policiais, além de equipe de limpeza do prédio, de prestação de atendimento médico e de fornecimento de alimentação."