Procuradoria-geral de Justiça cria fórum para discutir bailes funk e atuação da polícia em SP

Ana Letícia Leão

SÃO PAULO - O procurador-geral de Justiça Gianpaolo Smanio afirmou que o Ministério Público de São Paulo vai realizar um fórum para discutir o episódio que terminou com a morte de nove jovens durante um baile funk na favela de Paraisópolis, Zona Sul da capital paulista, no último domingo. Apesar do anúncio, feito nesta terça-feira, o procurador não deu detalhes sobre como será a força-tarefa. Ontem, o MP já havia dito que a promotora de Justiça do I Tribunal do Júri, Soraia Bicudo Simões, irá investigar se houve abuso por parte dos policiais militares que participaram da ação na comunidade.

— Recebi ontem um pedido de audiência, recebi a comunidade, algumas autoridades e deputados. Nós acertamos de realizar um fórum para que essa questão do baile funk e a atuação policial possa ser tratada de maneira global, para que possamos encontrar soluções para essa situação que já causou vítimas. LEIA MAIS:Novas imagens mostram policial agredindo jovens em Paraisópolis

Segundo o procurador, o Ministério Público irá fazer uma mediação para evitar "escalada da violência".

— Não pode haver atitude violenta por parte da polícia, nem por parte da comunidade. É preciso colocar todos sentados à mesa para encontrarmos as soluções adequadas, independente da apuração que for feita, ou das sansões (que podem ser aplicadas).

Questionado sobre os diversos que mostram violência policial contra jovens em Paraisópolis, o procurador disse que "qualquer afirmação é precipitada".

— Os vídeos mostram agressões e uma atuação que precisa de apuração. Precisamos primeiro investigar o que houve. Qualquer afirmação antes de uma investiação e antes de conhecermos o fato é precipitada. Vamos acompanhar, e quando tudo isso estiver soluciado, vamos propor as medidas necessárias, seja no âmbito criminal ou administrativo.

Investigações

Além do Tribunal do Júri, a Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo também assumiu a investigação da conduta dos 38 policiais que participaram da ação. A decisão partiu do comandante-geral da PM paulista, Marcelo Vieira Salles.

A investigação sobre a morte dos jovens durante a ação, que teve início no 89º Distrito Policial do Morumbi, agora é realizada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O caso foi registrado como morte suspeita.