Procuradoria pede prisão de escritor nicaraguense Sergio Ramírez por 'conspirar' contra soberania

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(Arquivo) O escritor e ex-vice-presidente da Nicarágua Sergio Ramirez durante uma entrevista à AFP em Buenos Aires em 26 de abril de 2019 (AFP/JUAN MABROMATA)

A Procuradoria da Nicarágua acusou e pediu a prisão do escritor Sergio Ramírez, ex-colaborador do presidente Daniel Ortega, por atos que "incitam ao ódio" e por "conspirar" contra a soberania, no contexto de processos abertos contra opositores a dois meses das eleições gerais.

Segundo nota divulgada pelo órgão, o autor nicaraguense também é acusado de receber recursos da Fundação Violeta Barrios de Chamorro, cujos diretores são acusados de lavagem de bens e ativos.

As ações atribuídas ao romancista "se enquadram no tipo penal de conspiração para minar a integridade nacional, em concorrência com o crime de lavagem de dinheiro, bens e ativos", especificou a procuradoria.

A denúncia, pedido de captura e busca de residência foram apresentados na terça-feira contra Ramírez, que teria recebido dinheiro por meio da Fundação Luisa Mercado, uma entidade que promove a cultura, com o objetivo de "desestabilizar" o país.

Ramírez, de 78 anos, foi membro da Junta de Governo de Reconstrução Nacional que assumiu o país após o triunfo da revolução de 1979 e foi vice-presidente de Ortega em seu primeiro mandato (1985-1990). Em 1995, renunciou por divergências da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, esquerda).

As acusações contra ele são as mesmas atribuídas pela procuradoria a 34 opositores e críticos do governo, detidos entre junho e agosto, entre eles sete pré-candidatos à presidência, sob leis aprovadas pelo governo em dezembro do ano passado.

Vencedor em 2017 do Prêmio Cervantes, o mais importante da literatura em espanhol, Ramírez é autor de obras como "Castigo divino" e "Margarita, esta linda la mar".

O escritor permanece fora da Nicarágua após ter sido ouvido pela procuradoria em junho como testemunha sobre seus vínculos com a Fundação Violeta Barrios de Chamorro, que era dirigida pela aspirante da oposição à presidência Cristiana Chamorro.

Ramírez explicou que o apoio financeiro à Fundação Luisa Mercado, nome de sua mãe, era destinado a atividades da plataforma cultural Centroamérica Cuenta, que reúne anualmente escritores, contadores de histórias e poetas do mundo.

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