Produção de biocombustíveis acelera, mas ainda não é suficiente para a demanda em alta

Enquanto as petroleiras buscam alternativas energéticas menos nocivas ao meio ambiente, algumas já estão no mercado. Do etanol, que já está em sua segunda geração tecnológica, ao biometano extraído de aterros sanitários, os chamados biocombustíveis têm ainda participação tímida na matriz energética global. Isso mais pela falta de escala para atender toda a demanda do que por inviabilidade técnica.

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A Gás Verde, uma das grandes produtoras de biometano no Brasil com três operações no Rio, tira de 11 mil toneladas de lixo 130 mil metros cúbicos de gás por dia. Entre seus principais clientes estão indústrias que substituem combustíveis de origem fóssil por biocombustíveis no abastecimento de veículos e outras aplicações.

— Hoje, a demanda industrial é muito maior do que somos capazes de produzir — diz Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, sócio e diretor executivo do Grupo Urca Energia.

Alto potencial

Ele estima que o potencial de produção de biogás no país é de 30 milhões de metros cúbicos por dia até 2030, e que este mercado representa hoje apenas 4% do que será em dez anos. Por isso, a companhia está acelerando os investimentos.

Ao longo do ano, vai aplicar R$ 1 bilhão. A usina de Seropédica (RJ) vai passar dos atuais 120 mil metros cúbicos de biometano por dia para 200 mil. As duas térmicas, a biogás em Nova Iguaçu e São Gonçalo, também no Grande Rio, serão transformadas em plantas de biometano até 2023. A meta é produzir 1 milhão de metros cúbicos por dia até 2026.

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Na Orizon Valorização de Resíduos, que administra 13 ecoparques — como chama os aterros sanitários — em São Paulo, Rio, Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Minas e Mato Grosso, está em negociação para administrar mais três.

— Saímos de 20 MW, em 2015 e 2016, para 97 MW em 2020, só em geração de energia a partir do biogás — afirma o diretor de engenharia e implantação da Orizon, Jorge Rogério Elias.

Maior distribuidora de combustíveis do país, a Vibra (ex-BR Distribuidora), quer ser a maior plataforma multienergia do país. Hoje, de acordo com o diretor de gás, energia e novos negócios da Vibra, Alexandre Tavares, a companhia já tem 170 postos com fontes alternativas e uma operação de 600 megawatts em energia eólica e solar:

— Nossa meta é chegar a 1,8 gigawatts, até 2025.