Produção industrial cai 1,3% em abril e fica abaixo do patamar pré-pandemia

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A produção industrial brasileira recuou 1,3% em abril ante o mês anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta quarta-feira (dia 2). É a terceira queda mensal consecutiva, levando o setor a ficar abaixo do patamar pré-pandemia.

O dado acende um alerta. O resultado do PIB do primeiro trimestre, divulgado ontem, ficou acima do previsto, mas só contabiliza o desempenho dos setores econômicos até março, com pouco impacto das medidas restritivas adotadas para conter a segunda onda de Covid no país.

Analistas ouvidos pela agência Bloomberg esperavam queda da produção industrial de 0,1% em abril, o que configuraria estabilidade frente ao mês anterior.

Os três meses de retração na indústria acumulam queda de 4,4%. No ano, porém, o setor ainda está no azul, com avanço de 10,5%. Em 12 meses, a alta acumulada é de 1,1%.

O que chama atenção no resultado de abril é que o resultado negativo foi bastante espalhado. Em18 das 26 atividades pesquisadas houve recuo.

“Com a entrada de 2021, o recrudescimento da pandemia e todos os efeitos que isso traz, o setor industrial mostrou uma diminuição muito evidente de seu ritmo de produção. Isso fica claro não só pelos resultados negativos, mas também pelo maior espalhamento desse ritmo de queda”, explica o gerente da pesquisa do IBGE.

As duas atividades que mais impactaram o resultado de abril foram coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-9,5%) e produtos alimentícios (3,4%). Um exemplo desses alimentos são as carnes.

“Nesse caso, há uma relação com o aumento de custos de produção. Se isso acontece, há um impacto em todo o processo produtivo, tanto em relação à carne de bovinos quanto de aves. Então, tem os custos mais altos da ração, do milho, entre outros fatores. Isso encarece a produção e de fato há diminuição do processo produtivo”, explica Macedo.

Além da alta de custos, alguns setores ainda sofrem com a escassez de matérias-primas. Diante disso, analistas avaliam que a normalização da produção nacional deve ocorrer no apenas no segundo semestre.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do Ibre/FGV subiu 0,7 ponto em maio para 104,2 pontos, influenciado pela melhora das expectativas para os próximos meses.

"O avanço da vacinação, embora lento, e a recuperação de economias externas, ampliando as exportações, são elementos que tendem a contribuir com a melhora das expectativas para o próximo semestre ”, comentou Claudia Perdigão, economista do FGV IBRE.

Quando comparada a abril do ano passado, a produção industrial cresceu 34,7%, a taxa mais elevada desde o início da série histórica da pesquisa, em janeiro de 2002.

O recorde do indicador é explicado pela baixa base de comparação, uma vez que, em abril de 2020, o setor havia recuado 27,7%, a maior queda já registrada na série.

À época, a retração foi influenciada pela intensificação das paralisações ocorridas no setor industrial em decorrência das medidas de isolamento social para combater a disseminação do novo coronavírus.

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