Produção industrial cresce 0,3% em maio, mas setor segue abaixo do patamar pré-pandemia

A produção industrial brasileira cresceu 0,3% na passagem de abril para maio. É o quarto resultado positivo consecutivo , levando o setor a acumular alta de 1,8% desde fevereiro. O saldo em 2022, contudo, ainda é negativo, e a atividade está 1,1% abaixo do patamar pré-pandemia. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PMI), do IBGE, e foram divulgados nesta terça-feira.

Três das quatro categorias pesquisadas registraram avanço na produção em maio. Bens de capital e bens de consumo duráveis avançaram 7,4% e 3%, respectivamente, com ambas as atividades voltando a crescer após forte recuo em abril. O setor de bens de consumo semi e não duráveis cresceu 0,8%, mas com ritmo abaixo do verificado no mês anterior (2,3%). Por outro lado, o segmento de bens intermediários recuou 1,3%.

Máquinas e equipamentos (7,5%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (3,7%) foram as atividades que exerceram maior contribuição positiva no mês, após recuarem no mês anterior.

Outras contribuições sobre o total da indústria vieram de produtos alimentícios (1,3%), artigos para viagem e calçados (9,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (5,5%), outros equipamentos de transporte (10,3%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (7,5%) e de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (3,6%). Por outro lado, tiveram redução na produção, indústrias extrativas (-5,6%) e outros produtos químicos (-8,0%)

Segundo o IBGE, a recente melhora no desempenho industrial pode estar relacionada à recuperação do mercado de trabalho e às medidas fiscais implementadas pelo governo, como a liberação de recursos do FGTS e antecipação do 13º para aposentados e pensionistas, o que impulsiona a demanda por bens.

Por outro lado, a indústria ainda lida com variáveis que limitam a recuperação das perdas do passado, como a inflação alta que corrói a renda das famílias, a taxa de juros elevada que encarece o crédito e o mercado de trabalho que ainda permanece com baixo rendimento.

— O setor industrial ainda tem um espaço grande a ser recuperado frente a patamares mais elevados da série histórica. Ainda permanecem a restrição de acesso das empresas a insumos e componentes para a produção do bem final e o encarecimento dos custos de produção. Várias plantas industriais prosseguem realizando paralisações, reduções de jornadas de trabalho e concedendo férias coletivas, com a indústria automobilística exemplificando bem essa situação nos últimos meses — diz André Macedo, gerente da pesquisa.

Economistas avaliam que o setor industrial deve andar de lado este ano, diante da alta da taxa de juros, que afeta a capacidade de investimentos das empresas, e da desorganização das cadeias globais que compromete a produção.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) do FGV IBRE subiu 1,5 ponto em junho para 101,2 pontos, o maior nível desde novembro de 2021 (102,1 pontos).

"Na ótica das expectativas as previsões são otimistas no horizonte de três meses, mas ainda cautelosas no de seis, uma diferença possivelmente decorrente da preocupação com a escalada inflacionária e dos juros internos, além do previsível aumento da incerteza durante o período eleitoral,” comenta Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE.

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