Indústria do Brasil cai mais que o esperado em julho e fica mais de 2% abaixo do nível pré-pandemia

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Engradados de bebida da AmBev (Companhia de Bebidas das Americas) em Fortaleza

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira registrou em julho queda bem mais forte do que a esperada, pressionada pelo desempenho da fabricação de alimentos e bebidas, iniciando o terceiro trimestre mais de 2% abaixo do nível pré-pandemia.

Em julho, a produção industrial registrou retração de 1,3% na comparação com o mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, pior resultado para o mês desde 2015.

O resultado foi bem pior do que a expectativa em pesquisa da Reuters de recuo de 0,5%, depois de queda de 0,2% em junho em dado revisado após estagnação informada antes. Assim, a indústria acumula queda de 1,5% em dois meses, após alta de 1,2% em maio.

Além disso, as perdas de julho levaram a produção industrial a ficar 2,1% abaixo do patamar anterior à pandemia, de fevereiro de 2020. O setor chegou a estar em janeiro 3,5% acima do nível visto naquele momento, segundo o IBGE.

Em relação a julho de 2020, a produção nacional avançou 1,2%, contra expectativa de ganho de 1,8%%.

O setor industrial ainda busca se recuperar da crise da Covid-19, tendo enfrentado neste ano o recrudescimento da pandemia, com isolamento social, em cenário de desemprego e inflação altos.

“O cenário tem como pano de fundo a pandemia e seus efeitos. No início do ano, houve recrudescimento da pandemia. Com vacina e flexibilização, ainda assim teve desarranjo da cadeia produtiva com falta de insumos, encarecimento de produtos”, explicou o gerente da pesquisa, André Macedo.

“Claramente 2021 é um ano negativo", completou.

Segundo os dados de julho, uma das principais influências negativas entre os ramos pesquisados foi a queda de 10,2% na produção do setor de bebidas, depois de três altas mensais seguidas. Também pressionou com força a fabricação de produtos alimentícios, com queda de 1,8%, a segunda seguida.

Os números são resultado, segundo Macedo, da dificuldade das pessoas em conseguir trabalho, bem como da elevada inflação que diminui a renda das famílias e o consumo.

“O mercado de trabalho ainda tem muita gente fora, a massa salarial não avança e é uma precarização do salário e do emprego. Isso sem falar na inflação mais alta e nos juros também, que atrapalham as pessoas consumirem”, disse ele.

Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de consumo duráveis despencou 2,7% --sétimo mês seguido de perdas--, enquanto a de bens intermediários caiu 0,6%.

Na outra ponta, os bens de capital, uma medida de investimento, aumentaram 0,3%, enquanto os de consumo semiduráveis e não duráveis subiram 0,2%

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