Alimentos e metalurgia pressionam em setembro e indústria termina 3º tri com perdas no Brasil

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Fábrica de alumínio em Pindamonhangaba, SP

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira encerrou o terceiro trimestre com perdas, pressionada principalmente pela produção de produtos alimentícios e metalurgia, sinalizando um fim de ano fraco para o setor ainda com dificuldades de recuperação e ainda abaixo do nível pré-pandemia.

No mês de setembro a produção industrial no Brasil registrou queda de 0,4% em relação ao mês anterior, chegando ao quarto mês seguido de perdas.

Com isso, a indústria encerrou o terceiro trimestre com recuo de 1,7% da produção na comparação com os três meses anteriores --houve perdas nos três primeiros trimestres de 2021--, e está 3,2% abaixo do patamar de fevereiro de 2020, período anterior à pandemia.

Na comparação com o mesmo mês de 2020, a produção nacional registrou queda de 3,9%%, divulgou nesta quinta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os resultados ficaram praticamente em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters com economistas, de quedas de 0,3 por cento na variação mensal e de 4,0 por cento na base anual.

ALIMENTOS

O setor industrial brasileiro ainda mostra dificuldades para se recuperar dos danos causados pela Covid-19, em meio ainda a preços elevados e falta de matéria-prima, cenário agravado no país pela inflação e desemprego.

"É um setor que vem claramente numa trajetória descendente desde o início do ano. Isso reforça que a atividade ainda sente muito os efeitos da pandemia sobre o setor produtivo, seja com encarecimento de custos, escassez de matéria prima ou menor demanda", explicou o gerente da pesquisa, André Macedo.

"Há outros fatores de demanda doméstica como o mercado de trabalho longe de uma recuperação, crédito mais caro e uma inflação mais alta, que afeta o poder de compra dos consumidores", completou.

O IBGE informou que, em setembro, 10 das 26 atividades tiveram resultados negativos, sendo os principais impactos a queda de 1,3% em produtos alimentícios e a de 2,5% em metalurgia.

De acordo com Macedo, o setor de alimentos foi afetado por setores como de açúcar, por causa das condições climáticas adversas, e de carnes bovinas, diante da suspensão das exportações para a China devido ao mal da vaca louca.

Mas enquanto a produção do segmento de alimentos está 7,4% abaixo do patamar pré-pandemia, o de metalurgia está 8,6% acima.

Já os destaques de alta da produção foram produtos farmoquímicos e farmacêuticos (6,5%) e outros produtos químicos (2,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, a fabricação de bens de capital teve queda de 1,6% em setembro sobre agosto, sendo a mais acentuada. Bens de consumo duráveis (-0,2%) e bens intermediários (-0,1%) também apresentaram perdas. Os bens de consumo semi e não duráveis ganharam 0,2%.

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