Produtor cultural promove bate-papo sobre samba e escreve biografia do Fundo de Quintal

Regiane Jesus
Marcos Salles com integrantes do grupo Fundo de Quintal

RIO - Se o show tem que continuar, ainda que uma pandemia desafine e desafie a vida, nós iremos achar o tom, um acorde com lindo som, e fazer com que fique bom outra vez o nosso cantar. Se não no palco, nas telas. Se não numa grandiosa apresentação, numa conversa intimista, no estilo “cada um na sua casa”. Os versos de Arlindo Cruz, Luiz Carlos da Vila e Sombrinha, eternizados pelo Fundo de Quintal, servem de inspiração para anunciar que o Teatro Rival Refit promove todas as terças-feiras de maio, às 16h, no seu perfil do Instagram, a live Samba Bate-Papo. O projeto é um encontro do jornalista e produtor cultural Marcos Salles, morador de Vila Isabel, com nomes consagrados do ritmo mais popular do Brasil. No próximo dia 12, o convidado é Xande de Pilares. Na semana seguinte será a vez de Sombrinha, e quem encerra o mês é Gabrielzinho do Irajá.

O convite do Teatro Rival Refit chegou no momento em que Salles se dedica a finalizar a biografia do Fundo de Quintal, grupo que comemora em 2020 os 40 anos do lançamento do primeiro álbum, e aguarda a retomada da sua agenda de diretor de espetáculos. Num deles, adiado por causa do novo coronavírus, Gabrielzinho do Irajá cantaria clássicos de Chico Buarque.

— Essa live é um bate-papo, uma troca de ideias sobre samba, quarentena, como está a vida neste momento... A gente vai jogar conversa fora de uma forma leve e divertida. Os artistas não têm obrigação de cantar na live, mas, como tocam instrumentos, devem executar trechos de algumas músicas, sim. Eu e Xande de Pilares já estamos achando que uma hora de duração é muito pouco — diz o jornalista, que estreou o projeto com Ubirany, do Fundo de Quintal.

Despretensiosamente, os encontros têm o objetivo de entreter os amantes do ritmo que estão em casa nesta fase de distanciamento social.

— Samba é sinônimo de alegria, de festa, e as lives estão salvando a pátria num momento tão delicado. Infelizmente, não sabemos quando se poderá ir novamente a um show lotado do Fundo de Quintal. Como ainda não dá para prever a data em que estaremos todos juntos numa casa de espetáculos, as lives terão vida longa — aposta Salles.

Enquanto a vida não volta ao normal, o jornalista fica em casa escrevendo a história extensa, e de muito sucesso, desta entidade do samba que completa 45 anos de existência em 2021.

— Vou contar a saga do Fundo de Quintal, que teve Bira Presidente, Ubirany, Sereno, Sombrinha, Almir Guineto, Jorge Aragão e Neoci na sua formação original, falando de cada um dos 19 integrantes que já passaram pelo grupo. É uma missão difícil, uma teia de aranha, mas estou escrevendo direto durante a pandemia e já finalizando os capítulos. Além de curiosidades das quais o público não tem conhecimento, o livro trará fotos antigas, em preto e branco, da época em que tudo começou — adianta o autor.

Muito antes de imaginar que assinaria a biografia do Fundo de Quintal, Salles, de 58 anos, esteve na roda de samba que acontecia às quartas-feiras na quadra do Cacique de Ramos e que ficou imortalizada na memória dos fãs e na história da música nacional.

— Eu tive o privilégio de conhecer esse pagode do Cacique quando ele já estava prestes a acabar (o que aconteceu no final dos anos 1980). Era uma mesa, o pessoal tocando, sem som, sem microfone, nada, e um público enorme em volta — recorda. — Era tão mágico que quando a Beth Carvalho conheceu aquilo (na década de 1970) ficou louca e disse que eles tinham que registrar o trabalho em estúdio. Foi assim que ela se tornou madrinha do grupo.

O fascínio pelo samba faz com que o jornalista já tenha outros biografados em vista:

— Vou escrever sobre Almir Guineto, Sombrinha e Jovelina Pérola Negra.

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