Produtor rural que teve as contas bloqueadas por Alexandre de Moraes doou R$ 100 mil para a campanha de Bolsonaro

Um empresário que teve as contas bloqueadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de financiamento de manifestações antidemocráticas, o produtor rural Sergio Bedin, de Sorriso (MT), doou R$ 100 mil à campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão da Corte, proferida nesta quinta-feira pelo ministro Alexandre de Moraes, alcançou 43 pessoas jurídicas e pessoas físicas suspeitas de patrocinar os atos.

Bedin vem de uma família de produtores rurais e é sócio-administrador de duas empresas: a holding Eldorado Participações e Administrações de Bens e a Agropecuária Dona Senaide, de cultivo de soja e outros cereais. Nas duas companhias ele tem diversos parentes como sócios.

Uma das empresas de Bedin já recebeu recursos públicos, mas antes do início do governo Bolsonaro. Entre 2014 e 2018, Ministério da Agricultura desembolsou R$ 1,8 milhão para comprar itens produzidos pelo empresário, de acordo com dados do Portal da Transparência. A pasta da Agricultura compra estoques de produtores para regular os preços do mercado e criar uma reserva de contingência.

Em Sorriso, Bedin também já participou de competições de tiro ao prato.

Nesta eleição, o produtor rural doou para outros dois candidatos, ambos do Mato Grosso: Xuxu dal Molin (União Brasil), que ficou como suplente de deputado estadual, e Acacio Ambrosini (Republicanos), que não se elegeu deputado federal. Cada um recebeu R$ 50 mil do empresário.

Ao determinar o bloqueio das contas bancárias, Alexandre de Moraes argumentou que há um "abuso reiterado do direito de reunião, direcionado, ilícita e criminosamente, para propagar o descumprimento e desrespeito ao resultado do pleito eleitoral". Outros alvos da decisão também aparecem entre os doadores da campanha de Bolsonaro, mas com contribuições menores. Elas variam de R$ 1 a R$ 20 mil.

O GLOBO entrou em contato com Sergio Bedin por telefone e e-mail. Um funcionário da sua empresa afirmou que enviaria um posicionamento, mas não fez mais contato até a publicação desta reportagem.