Produtores brasileiros: "Denegrir" a carne local favorece a concorrência

Especialistas analisam carne animal de diferentes mercados no Rio de Janeiro, em 20 de março de 2017

As principais associações pecuárias brasileiras, atingidas pelo escândalo de carne estragaram, advertiram nesta segunda-feira que "denegrir" a qualidade de seus produtos é uma atitude "irresponsável" e que só favorecerá aos "mercados da concorrência".

Em um anúncio publicado nos maiores jornais do país, a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) retomam a linha argumentativa do governo, atribuindo o escândalo a "eventuais desvios de conduta" que "representam uma fração mínima da produção nacional e devem ser repudiados e combatidos".

O anúncio alerta sobre as consequências que que uma generalização das suspeitas pode trazer para o país, principal exportador mundial de carne bovina e agrícola.

"Denegrir a qualidade da proteína do principal exportador global só interessa aos produtores de mercados concorrentes", afirmam.

"Eventuais restrições à importação de carne brasileira, além de representarem um retrocesso de muitos anos, impactarão na economia e resultarão em um perda de empregos e renda. O setor de proteínas emprega mais de 7 milhões de pessoas e representa 15% das exportações brasileiras", adverte.

"É irresponsável colocar dúvidas sobre a qualidade da carne brasileira. A tentativa de assustar consumidores e comprodores intenarcionais pode servir à busca por promoção pessoal, mas não se sustenta com fatos e prejudica a vida de milhões de vrasileiros que trabalham no setor de proteínas", acrescenta a nota.

A Polícia Federal (PF) revelou na sexta-feira um esquema em que fiscais sanitários supostamente recebiam subornos dos frigoríficos para autorizar a venda de alimentos não aptos para o consumo.

Mais de 30 pessoas foram detidas até o momento, três frigoríficos foram fechados temporariamente e 21 se encontram sob investigação.

A PF foi criticada pela forma como foram divulgadas as informações sobre a operação "Carne Fraca".

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, questionou no domingo "a narrativa" dos procedimentos policiais que teria levado a "conclusões equivocadas".

O presidente Michel Temer também afirmou que o modo como a notícia foi dada pode ter gerado grande preocupação nos países importadores de carne e nos consumidores brasileiros.

O escândalo deu ânimo aos produtores agropecuários europeus preocupados com o avanço das negociações de um tratado de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai).

"A respeito das conversações comerciais com o Mercosul, enviamos uma carta à Comissão Europeia pedindo que sejam cumpridas nossas normas de segurança e que os países do Mercosul garantam o rastreio individual do gado", informa um comunicado do secretário-geral da Copa-Cogeca, Pekka Pesonen.