Produtores rejeitam volta de fumigação aérea de cultivos de coca na Colômbia

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A principal associação de produtores de coca da Colômbia rejeitou nesta terça-feira (13) o plano do governo de retomar a fumigação aérea de plantações ilícitas e convocou protestos, sem especificar de que forma ou quando serão realizados.

"Expressamos nosso repúdio ao decreto", assinado nesta segunda-feira, "que retoma o programa de aspersões aéreas com glifosato nos territórios como ferramenta privilegiada da política antidrogas do governo", declarou a Coordenadoria Nacional de Cultivadores de Coca, Amapola e Maconha (Coccam) em comunicado.

A organização, que promoveu grandes passeatas contra a erradicação forçada há quatro anos, convocou as organizações sociais "para se manifestarem e se mobilizarem", pois considera que a fumigação aérea viola os acordos de 2016 com a guerrilha das FARC, que privilegia a substituição de cultivos ilícitos por outros legais.

"Não entendemos porque o governo nacional insiste em destruir o acordo de paz e pisar na confiança das comunidades", quando "98% das famílias inscritas" no programa de substituição de plantações ilícitas "cumpriram o acordo", afirmou a Coccam.

A pulverização de glifosato foi suspensa na Colômbia, o maior produtor de cocaína no mundo, em 2015, durante o governo de Juan Manuel Santos, sob suspeita de que poderia causar danos à saúde e ao meio ambiente.

Mas seu sucessor, Iván Duque, tem insistido em voltar a utilizar o método, que considera mais eficaz para erradicar os cultivos de drogas que alcançaram 154 mil hectares em 2019 no país, segundo a ONU.

Na segunda-feira, o ministro da Defesa, Diego Molano, anunciou um decreto que regulamenta os riscos à saúde e ao meio ambiente. A aspersão só pode ser realizada "em áreas de cultivo extensas, industriais e onde há uma forte presença de grupos armados", explicou ele à W Radio.

Além disso, o texto prevê uma consulta às comunidades negras e indígenas que se encontram nos territórios afetados e verificações periódicas dos possíveis danos causados à saúde e ao meio ambiente pelo herbicida, classificado como "possivelmente" cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, antes de poder retomar as aspersões aéreas, o governo deve primeiro obter a aprovação do Conselho Nacional de Entorpecentes (CNE), que suspendeu a fumigação de plantações ilícitas com glifosato a pedido da justiça.

O anúncio chega em meio a um grave aumento da violência no país, que Duque atribui a grupos financiados pelo tráfico de drogas e a mineração ilegal em regiões remotas.

Após quase cinco décadas de combate ao narcotráfico, a Colômbia, envolvida em um conflito armado, continua a ser o maior produtor de cocaína do planeta e os Estados Unidos, seu principal consumidor.

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