Professor de SP diz odiar pretos e pobres que falam alto e comem de tudo

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Mais um caso de racismo foi registrado no ambiente acadêmico. O professor e pesquisador do curso de Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), José Guilherme de Almeida, usou uma rede social para fazer um ataque racista:

“Horror de turismo. Odeio pretos e pardos falando muito e comendo de tudo por muito tempo, em bandos, nos hotéis três estrelas de orla de praia! Um café da manhã macabro com tanta algazarra e gulodice. Alguém consegue comer carne de sol logo cedo lotando o prato por 3 vezes? Eles conseguem, todos! Queria ser muito rico e ter o café no meu quarto sempre nu e escutando Mozart”, diz a postagem, sem identificar o local onde ele estaria.

Almeida faz parte da Diretoria de Humanidades do IFSP, é discente no Ensino Médio e na Licenciatura em Geografia. Após a repercussão, o professor se manifestou novamente pela rede social: “Há também em mim reminiscências de atitudes que por vezes podem soar racismo. Eu sou um homem democrático, um cidadão idôneo e nunca em minhas manifestações pretendo parecer nem de longe preconceituoso, mesmo porque, dada minha orientação e minha situação como trabalhador, seria contraditório eu assumir posturas contra outros grupos oprimidos”.

Alunos se manifestaram após a postagem preconceituosa – alguns pediram a exoneração do professor, que não foi localizado, e também políticas que coloquem em pauta a questão do racismo na universidade.

O Centro Acadêmico Estrabão, entidade representativa dos discentes do curso de Geografia, publicou uma declaração de repúdio nas redes sociais: “Não podemos e não vamos tolerar nenhum tipo de preconceito desse gênero no curso e dentro do IFSP. É inconcebível que tenhamos em nosso corpo docente alguém com essa mentalidade”. O texto foi encaminhado à direção do campus, com destaque de que há um longo histórico de reclamações por parte dos discentes sobre o mesmo professor por seus posicionamentos.

A faculdade afirmou, em nota, que o IFSP “repudia quaisquer formas de preconceito e discriminação dentro ou fora de seus muros”. A instituição, que afirma se comprometer com a construção de uma sociedade plural e de múltipla representatividade, informou que já começou “a apuração dos acontecimentos, reconhecendo a gravidade dos fatos”.