Professor denunciado por assédio criou grupo em aplicativo e mandava mensagens para alunas, relata vítima

O professor de matemática do Colégio Estadual Antônio Maria Teixeira, no Leblon, na Zona Sul do Rio, denunciado por assédio, criava grupos em aplicativos de mensagens com os alunos. De acordo com a vítima, que fez a denúncia na 14ª DP (Leblon), através dos grupos, Rodrigo Simonace conseguia o contato dos estudantes e mandava mensagens privadas inapropriada para ela. A jovem contou que além do assédio virtual, também sofria com comentários e olhares em sala de aula. Após a denúncia, o docente enviou mensagens em um dos grupos informando que estava sendo "vítima de uma acusação de assédio".

De acordo com ela, Rodrigo era seu professor de matemática desde o começo deste ano. Em junho, o docente passou a publicar comentários em fotos postadas por ela em redes sociais. A jovem contou que além dos comentários, ele também enviava mensagens por aplicativo de mensagens e chegou a chamá-la de "delícia" e "gostosa". O homem ainda teria lhe oferecido chocolate e a indagado por mensagem qual era o seu preferido. Apesar das diversas insistências, a estudante nunca o respondeu.

Ainda segundo a menina, na sala de aula, ele a olhava fixamente e fazia alguns comentários. Durante a aula de segunda-feira, o professor fez gestos em sua direção e mordeu os lábios. Ao tentar gravar a cena com o celular, Rodrigo a repreendeu e a mandou para a direção. Após a direção ser acionada, a jovem denunciou a situação, mas afirmou que não se sentiu acolhida e que o caso não foi tratado com importância.

Junto com seu pai, ela foi à 14ª DP (Leblon) e prestou depoimento. Antes da denúncia, ela só havia relatado o caso para uma professora da unidade. Na delegacia, além da vítima e do professor, uma testemunha foi ouvida e alegou que "é notório entre os alunos o comportamento assediador de Rodrigo".

Em um dos grupos criado com uma turma da unidade, Rodrigo tentou se defender após a denúncia na delegacia. Rodrigo contou estar sendo "vítima de uma acusação", ainda alegou que era um "pai de família". Alguns dos alunos chegaram a pedir que ele não falasse mais.

A delegada titular Daniela Terra avalia que se trata de uma denúncia de assédio, principalmente por ele estar em uma posição de superior hierárquico. O caso foi encaminhado para o IV Juizado Criminal, do Tribunal de Justiça do Rio.

— O contexto em que foi feito e a narrativa da vítima mostra um caso de assédio. Ele é professor, precisa servir de exemplo. Infelizmente, é difícil existir uma mulher que nunca tenha passado por isso. A gente reconhece quando a brincadeira já passou dos limites. E sempre arranjam uma desculpa — afirmou a delegada.

O professor também foi ouvido pela Polícia Civil. Ele negou as acusações e afirmou que a estudante fez a denúncia porque foi advertida por estar mexendo no celular durante a aula. Segundo ele, após ela se recusar a desligar o telefone, ele informou que iria chamar a direção para ela sair da sala de aula. Rodrigo foi procurado pelo GLOBO através de rede social, mas não respondeu.

A Secretaria estadual de Educação informou que a direção do Colégio Estadual Antônio Maria Teixeira acompanhou a estudante e o professor até a delegacia para registrar o caso. Além disso, o professor foi afastado preventivamente e "a situação será apurada através de sindicância".

Uma outra aluna, de 19 anos, também contou ao GLOBO que foi vítima de assédio por parte de Rodrigo. Por saber dançar, o docente a questionava se ela poderia enviar vídeos dela dançando. Os pedidos eram feitos dentro da própria sala de aula, como ela explicou, o professor se aproximava e falava baixo. A estudante contou que pessoas que sentavam próximo à ela também ouviam.

— Ele sempre insistia para ver vídeos meus e me deixava sem graça. Ele se fazia de legal, querido, sempre arrumava um jeito de abraçar a gente como se fosse nosso amigo. Queria mostrar amizade, mas víamos a maldade na atitude — relatou a jovem.

A estudante contou que além das falas em sala de aula, desde março deste ano ele envia mensagens em vídeos e fotos publicadas em redes sociais. Após a denúncia na delegacia, ele teria apagado todas os registros e deixado de seguir as duas vítimas.

Ela relatou que apesar de não ter prestado queixa, se sente aliviada pela atitude da colega de turma de denunciar Rodrigo.