Professora atropelada pelo jogador Marcinho será velada e cremada nesta sexta

Marcos Nunes
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A professora Maria Cristina José Soares, de 66 anos, que morreu na terça-feira, dia 5, após ter sido atropelada ao lado do marido por um carro dirigido pelo jogador de futebol Márcio Almeida de Oliveira, o Marcinho, será velada e cremada na tarde desta sexta-feira, dia 8. O corpo da coordenadora do curso de engenharia ambiental do Cefet/RJ será velado no Crematório e Cemitério da Penitência, na capela Ecumênica 1, na parte da tarde. A cremação está prevista para às 16h. A cerimônia de despedida será restrita aos familiares e amigos.

A família de Maria Cristina entrou com um pedido de liminar, no Tribunal de Justiça do Rio, pedindo autorização para cremar o corpo da educadora, vontade manifestada pela professora ainda em vida. Segundo os advogados Márcio Albuquerque e André Nascimento, que defendem os interesses da família da professora, em caso de morte violenta é necessário uma autorização judicial para realização da cremação, já que teoricamente isto impediria uma futura exumação, caso isso fosse necessário para esclarecer o caso.

Maria Cristina Soares e o marido, Alexandre Silva Lima, de 44, foram atropelados na noite do dia 30 de dezembro, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. O veículo que atropelou o casal, que estava junto havia 12 anos e que em janeiro de 2019 oficializou em cartório uma união estável, era um Mini Cooper dirigido por Marcinho. O ex-lateral do Botafogo prestou depoimento, na segunda-feira, dia 4, e admitiu que dirigia o carro, mas afirmou que trafegava a uma velocidade de 60 quilômetros.

Uma nova perícia no veículo foi realizada na manhã desta quinta-feira. A Polícia Civil já adiantou ter indícios que o atleta estaria em uma velocidade maior. O laudo cadavérico, obtido pelo Extra, revela como foi o impacto do choque do carro com os corpos das duas vítimas. Professor de engenharia mecânica, Alexandre teve como causa mortis, segundo laudo assinado pelo médico legista Cláudio Amorim Simões, traumatismo craniano, traumatismo do tórax e traumatismo do abdômen com hemorragia interna.

O exame descreve que o corpo apresentava ainda fratura dos cotovelos, do fêmur direito, do joelho esquerdo e da coluna cervical. Também foram constatadas escoriações no rosto e laceração de fígado e de baço. Uma testemunha ouvida pelo delegado Alan Luxardo, da 42ªDP (Recreio dos Bandeirantes) chegou a mencionar ter visto o corpo do professor ficar preso na parte frontal do Mini Cooper. A mesma testemunha disse que Alexandre chegou a ser arrastado, até se desprender e cair no solo, ocasião que o veículo chegou a passar por cima dele.O educador não suportou os ferimentos causados no acidente e morreu na hora.

Já Maria Cristina, professora e coordenadora do curso de Engenharia Ambiental, chegou a ser socorrida. Ela foi internada em um hospital particular, na Barra da Tijuca, mas morreu na noite desta terça-feira. O exame cadavérico feito no corpo da educadora revelou que ela teve, como causa mortis, traumatismo do tórax e de membros inferiores, este último com uma complicação causada por uma infecção. Além disto, ela também sofreu fraturas nas costas, do fêmur direito e esquerdo, em uma das tíbias e no tornozelo direito.

Nesta quinta-feira, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli realizaram uma perícia complementar no Mini Cooper, no pátio da 42ª. O automóvel está no local desde que foi apreendido pela polícia. Segundo o delegado Alan Luxardo, da 42ª , o objetivo da nova perícia é comparar os estragos causados no carro que era dirigido pelo atleta com a velocidade que veículo estava no momento do atropelamento.

— A perícia vem para complementar as perícias anteriores, justamente para ter uma conexão maior do estado do veículo com a velocidade na hora do impacto. Os elementos testemunhais e os outros que colhemos até agora dão este entendimento (de uma velocidade maior) — disse o delegado.

Em seu depoimento, prestado na última segunda-feira, o ex-jogador do Botafogo negou que tivesse ingerido bebida acoolica antes do atropelamento. A defesa de Marcinho alegou que ele não socorreu as vítimas por temer ser linchado, já que algumas pessoas teriam se aglomerado em torno do carro, logo após o acidente.

Quatro testemunhas, ouvidas pela polícia nesta quarta-feira, disseram que estavam com Marcinho momentos antes do acidente, em uma confraternização de família. Elas afirmaram que o jogador não ingeriu bebida alcoólica. Já outras duas testemunhas, ouvidas um dia antes, disseram ter visto o Mini Cooper em alta velocidade e "costurando "em meio ao trânsito da Avenida Sernambetida, onde o atropelamento ocorreu.