Professora denuncia injúria racial feita por alunos no RS

Injúria racial foi cometida dentro de sala de aula por adolescentes. Foto: Getty Images.
Injúria racial foi cometida dentro de sala de aula por adolescentes. Foto: Getty Images.
  • Professora denunciou ataques à polícia

  • Alunos tentaram justificar injúria racial como 'brincadeira'

  • Vítima fala sobre trauma psicológico

Uma professora negra da cidade de Campo Bom, no Rio Grande do Sul, denunciou que foi vítima de injúria racial dentro de sala de aula por parte de dois adolescentes, de 14 e 15 anos. O caso de Maristela Santos está sendo investigado pela Polícia Civil, e acompanhado pelo Ministério Público e pelo Juizado de Infância e Adolescência.

"Estou tentando me manter calma, mas como se a sociedade nos coloca para baixo? Sou educadora há 24 anos. Fiz concurso para professora e estou apta a trabalhar, mas não me permite. Vivo isso. Estou muito acuada, no meu limite", desabafou a professora, que trabalha em uma escola municipal, em entrevista ao portal UOL. "Alunos do 8º ano, de duas turmas da escola, imitavam sons de macaco quando eu me virava de costas em sala. Difícil ter calma depois de passar por isso".

Os alunos tentaram justificar os ataques como se fossem uma “brincadeira”. "Quando os alunos foram questionados, alegaram se tratar de uma brincadeira do TikTok. Só que eu não havia proposto nada do tipo, meu conteúdo era sobre eletricidade".

Segundo ela, as situações foram testemunhadas por um professor auxiliar. "Estou muito triste e abalada com o que ocorreu. Já trabalhei com todas as idades, mas nunca havia sentido e passado por algo parecido com essa situação de agora", afirma.

O responsável pelo caso é o delegado Clóvis Nei da Silva, afirma que ouviu a professora e irá ouvir agora testemunhas. "Vamos buscar identificar os autores e responsabilizá-los".

Agora, a professora enfrenta o trauma gerado pelos ataques. "O impacto psicológico é muito grande. Fiquei quatro dias afastada, tentaram me trocar de escola, mas eu não tenho como me deslocar. Está tão complicado que busquei atendimento psicológico, não tenho conseguido nem dormir".

Maristela recebeu apoio de outros alunos, segundo ela, mas não um pedido de desculpas dos adolescentes envolvidos. "Eles precisam entender a responsabilidade do que fizeram. Sempre me posicionei diante atitudes erradas, então pensei que, se alguém não tiver coragem de denunciar, isso não vai parar".

Já a prefeitura do município, afirma que prestará apoio à professora. "Diante dos fatos ocorridos, em que uma professora da rede municipal relatou ter sofrido injúria racial dentro da sala de aula, a prefeitura de Campo Bom informa que repudia qualquer ato de discriminação ou racismo e que está prestando todo o apoio à professora", afirma a nota.

"O ato foi denunciado por meio de boletim de ocorrência na delegacia de polícia local e, agora, cabe à esfera policial julgar o ocorrido. Campo Bom é uma cidade para todos, e é inadmissível que casos assim aconteçam em pleno século 21. A administração municipal ressalta que acompanhará o caso e prestará todo o apoio necessário à vítima."

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