Professoras esconderam crianças no fraldário durante atentando em creche em SC: 'Fecharam as janelas para se proteger'

Redação Notícias
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A professora Aline Biazebetti, que trabalha na creche no período da tarde, relatou que socorreu um dos feridos (Foto: Reprodução/NSC TV)
A professora Aline Biazebetti, que trabalha na creche no período da tarde, relatou que socorreu um dos feridos (Foto: Reprodução/NSC TV)
  • A professora Aline Biazebetti contou os momentos de horror e tristeza que presenciou durante o ataque a uma creche no município de Saudades (SC)

  • Segundo o relato, as funcionárias esconderam as crianças do jovem que cometeu o atentado no fraldário da creche

  • Aline conseguiu ajudar uma das crianças e chegou a levou um dos feridos para o hospital, mas ela lamentou ter "perdido colegas"

A professora Aline Biazebetti contou os momentos de horror e tristeza que presenciou durante o ataque a uma creche no município de Saudades (SC), nesta terça-feira (4), que deixou três crianças e duas funcionárias mortas.

À NSC TV, afiliada da TV Globo na região, a professora que trabalha no turno da tarde disse que, como mora em frente à unidade, foi até o local para ajudar.

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"Elas fizeram o que elas puderam para conseguir salvar essas crianças", disse Aline, referindo-se às professoras que trabalhavam no momento do ataque.

Segundo o relato de uma amiga professora, Aline contou que as funcionárias esconderam as crianças do jovem que cometeu o atentado.

"Elas viram que estava acontecendo alguma coisa, conseguiram levar todos [alunos] para o fraldário e botar debaixo do mármore e uma ‘profe’ conseguiu segurar a porta, ele tentou abrir, mas daí no fim ele [agressor] acabou desistindo. Elas começaram a fechar as janelas para tentar se proteger", disse.

De acordo com Aline, ela ouviu pedidos de ajuda e correu para o local. Só então, notou que havia alguma coisa de muito grave acontecendo.

“Eu estava dentro de casa, escutei gritos de pedidos de socorro. Eram muito fortes. Então eu saí e aí eu vi as meninas, minhas colegas pedindo socorro, para ligar para a polícia. Eu consegui ligar para a polícia, mas quase não pude falar nada, só pedi socorro”, relatou.

Aline conseguiu ajudar uma das crianças. De acordo com o relato, ela levou um dos feridos para o hospital, mas ela lamentou ter "perdido colegas".

“As meninas começaram a trazer os feridos para fora e eu consegui levar um menino pro hospital, mas ele estava bem ferido. É muita tristeza. Não tenho nem palavras porque eu perdi colegas”, lamentou.

"A gente nunca esperava isso, que alguém fizesse uma coisa dessa"

Para a professora, o caso surpreendeu a todos, pois geralmente os dias são muito tranquilos na creche. Segundo ela, vai ser "custosa" a volta ao local após o atentado.

“A gente nunca esperava isso, nunca mesmo, que alguém entrasse ali e fizesse uma coisa dessa. Não tem nenhuma explicação o que esse cara fez”, disse Aline. 

“Comecei como estagiária ali faz uns três anos já, agora entrei como agente educativa. Acho difícil voltar, não sei como vai ser porque entrar lá dentro e lembrar das cenas de horror e pedidos de socorro... fica na cabeça da gente. É muito difícil”.

O delegado Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo caso, confirmou a morte de três crianças e duas professoras. A Polícia Civil também anunciou a prisão do agressor após o crime (Foto: Reprodução)
O delegado Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo caso, confirmou a morte de três crianças e duas professoras. A Polícia Civil também anunciou a prisão do agressor após o crime (Foto: Reprodução)

Como aconteceu o ataque em creche em Santa Catarina

Um adolescente de 18 anos invadiu uma creche e matou ao menos cinco pessoas no município de Saudades, em Santa Catarina, nesta terça-feira. O rapaz portava um facão no momento do ataque.

O delegado Jerônimo Marçal Ferreira, responsável pelo caso, confirmou a morte de três crianças e duas professoras. A Polícia Civil também anunciou a prisão do agressor após o crime.

Os policiais receberam diversas ligações pedindo socorro no local por volta das 11 horas. Segundo o 2º Batalhão da PM de Chapecó, a ocorrência ainda estava em andamento no fim da manhã desta terça.

As identidades do jovem e das vítimas não foram reveladas. O adolescente responsável pelos crimes também teria ficado ferido na ação da polícia. Ele não tem histórico de crimes, segundo o delegado.

Governador lamenta "chacina"

Governador de Santa Catarina, Carlos Moisés manifestou-se por meio das redes sociais e lamentou o ocorrido. "Devastadora a notícia da chacina registrada no município de Saudades vitimando crianças e professores de uma creche na manhã desta terça-feira. Minha solidariedade às famílias, à comunidade escolar e a todos os moradores da acolhedora cidade do nosso Oeste", escreveu no Twitter.

"Todas as energias das forças de segurança da região devem ser empregadas no esclarecimento desse trágico episódio", completou.

Gisela Hermann, secretária de Educação de Saudades (SC), relatou o cenário que encontrou na creche que foi atacada por um jovem na manhã desta terça-feira (04). Ao menos três crianças e duas professoras foram mortos com um facão na ação.

"Chegamos lá, uma cena de terror. Consegui entrar na escola. Tinha um cara deitado no chão, mas ainda vivo, uma professora morta, uma criança morta também. A sala estava fechada, não deixaram a gente entrar”, afirmou de acordo com o G1.

Autor do atentado tentou se matar

Ricardo Newton Casagrande, delegado regional de Chapecó (SC), diz que o autor do ataque a uma creche no município de Saudades (SC), desferiu golpes contra si próprio depois de matar ao menos cinco pessoas — sendo três crianças e duas professoras. 

De acordo com o delegado, o jovem de 18 anos foi encaminhado em estado gravíssimo a um hospital próximo, na cidade vizinha de Pinhalzinho. Segundo ele, o suspeito do ataque, que aconteceu na manhã desta terça-feira (04), é natural de Saudades.