Petistas que tiveram casa incendiada no PR conseguem doações; Entenda o caso

Petistas tiveram casa incendiada no Paraná; Imagem mostra cozinha de apartamento destruída por chamas - Foto: Reprodução
Petistas tiveram casa incendiada no Paraná; Imagem mostra cozinha de apartamento destruída por chamas - Foto: Reprodução

A vaquinha online feita para ajudar as professoras e dirigentes do Sindicato Municipal dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), Juliana Mildemberg e Loide Ostrufka, que tiveram o apartamento incendiado na terça-feira (3) enquanto voltavam de Brasília, onde acompanhavam a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), bateu a meta estipulada para que as duas amigas consigam comprar novos móveis e alugar uma outra casa.

O objetivo era arrecadar R$ 75 mil, mas na tarde desta quinta-feira (5) mais de 1.300 pessoas já haviam contribuído e o valor ultrapassou os R$ 78 mil. O valor também será usado para arcar com os custos de pelo menos uma reforma inicial no apartamento incendiado.

Enquanto as duas estavam no ônibus voltando da cerimônia para Curitiba, no Paraná, Loide recebeu uma ligação do vizinho informando que o apartamento onde as amigas moravam havia pegado fogo. Assim que soube, a professora logo pediu para que amigos fossem até o local para ver como estava a situação. Quando o seu filho chegou no imóvel e pôde entrar, logo viu que havia uma pilha de livros, bandeiras LGBTQIAP+, sindicais e do PT destruída pelo fogo.

O carro da namorada de Loide foi levado porque a chave estava na casa, segundo a sindicalista. Mas poucos objetos de valor foram levados. O fogo em itens relacionados a questões políticas e defesa de direitos de minorias faz a professora acreditar em um crime político.

— O foco do incêndio foi no quarto da Juliana, juntaram todas as nossas coisas relacionadas a partido político, livros e bandeiras. Até mesmo na nossa árvore de Natal, que tinha fotos da família, só foram retiradas e queimadas as que eu estava com a minha companheira — relatou.

Loide reforça que esse episódio não irá afastá-la da defesa dos direitos dos negros, LGBTs, pessoas com deficiência e outros grupos.

— Isso tudo é muito assustador. Nós que estamos pondo o rosto e somos conhecidos por nossa militância e bandeira política, imaginamos que na rua possa acontecer algum tipo violência. Mas isso é muito extremo, é muito violento, saber que alguém entrou na sua casa e colocou fogo na sua história — contou Loide, que acredita que esse crime foi também como uma forma de mandar um recado, para calar a sua voz.

— Nós vamos continuar na luta, estamos mais fortes do que nunca. Não quero que ninguém perca a vida por ódio e intolerância, não é querer ser herói. Queremos mesmo é que as pessoas tenham liberdade de amar quem elas querem, ser quem elas são — completou.

Andamento das investigação

O caso é investigado pela Polícia Civil. Segundo o delegado Geraldo João Celezinski, ainda é difícil saber a autoria dos crimes porque as câmeras da rua onde fica o apartamento só preservam gravações das 24 horas anteriores. E a Polícia Civil teve acesso a imagens registradas pelo equipamento apenas depois de este prazo ter se passado.

— A priori podemos dizer que é um incêndio criminoso, além do furto qualificado. Conseguimos imagens de um estabelecimento próximo ao apartamento, mas nelas não é possível ver o carro que foi furtado saindo da rua, naquela localidade as câmeras só gravam as últimas 24h. Estamos entendendo que houve duas oportunidades, em um primeiro momento eles levaram o carro, e em um segundo, foi quando queimaram os livros e as bandeiras das professoras. Para nós fica mais difícil sabermos a autoria. A motivação pode ser de conotação homofóbica e política, estamos considerando as duas — disse Celezinski.