Professores aprendem a nova rotina virtual

Mariana Teixeira
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Gerson Moraes

O professor de biologia Gerson Moraes em aula on-line

RIO — Com o fechamento das escolas no Rio de Janeiro e a necessidade de uma interação digital, a rotina dos professores mudou e precisou ser adaptada ao novo cenário. Além de preparar as aulas, é necessário ajustar a dinâmica. Gerson Moraes é professor de biologia e ciências do Centro Educacional da Lagoa e conta que a maior dificuldade é entender a interação fora da sala de aula e a diferença no diálogo entre o aluno e o professor.

— Normalmente, eu tento evitar muita exposição de conteúdo e prezo os questionamentos, mas em uma aula on-line isso se perde um pouco porque existem algumas regras na videoconferência, como todo mundo manter o microfone desligado e se comunicar apenas pelo chat. Então acaba que o professor precisa expor muito mais. Para alunos mais jovens, é mais difícil manter a atenção. Tenho usado gifs e referências de desenhos e percebo que eles estão rindo e respondendo pelo chat— diz Moraes.

Mais do que nunca a criatividade é uma habilidade necessária aos educadores. Tamiris dos Santos, professora da educação infantil no Centro Educacional da Urca, explica que o aprendizado é feito de forma lúdica. Segundo ela, à distância fica muito difícil saber se o aluno está reagindo e aprendendo, já que a escola optou por disponibilizar vídeos gravados de três minutos para as crianças.

— Está sendo um desafio muito grande ter que me reinventar todo dia. Nesta situação, há uma conquista diária da confiança das crianças e dos pais. É o primeiro contato deles com a escola, então precisa de um aconchego e de uma presença que não estão existindo. É importante que os pais mostrem as videoaulas para os filhos. Assim, o vínculo criado na sala de aula não é desfeito — afirma.

Jorge Júnior, professor de literatura e diretor do Colégio e Curso Intellectus de Botafogo, argumenta que a mudança de rotina torna tudo mais cansativo. Além de preparar materiais, dar aulas ao vivo, gravar e editar conteúdos, há o trabalho doméstico e filhos e cônjuges no mesmo ambiente.

— Não foi uma situação para a qual nos preparamos com cursos ou treinamentos, mas tivemos que, de um dia para o outro, estar plenamente adaptados a essa demanda virtual. Acredito que depois da quarentena a educação nunca mais será a mesma — prevê.

O especialista em educação Helder Gusso acredita que, com o fim da pandemia, alguns professores ficarão empolgados com novos recursos como plataformas e materiais interativos. Além disso, pensa que é um bom momento para que secretarias de Educação e instituições de ensino passem a ter uma política e um plano de ação sobre o que fazer em caso de futuras eventualidades, para que o improviso não seja necessário.

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