Professores e entregadores de app se unem em greve contra retorno presencial e pedem vacina contra a Covid

João de Mari
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Professores e entregadores de app se uniram contra volta às aulas presenciais e melhores condições de trabalho para os motoboys (Foto: Divulgação)
Professores e entregadores de app se uniram contra volta às aulas presenciais e melhores condições de trabalho para os motoboys (Foto: Divulgação)
  • Professores e entregadores de app se unem contra retorno das aulas presenciais e pedem vacina contra a Covid

  • Educadores alegam que as escolas não têm condições para volta; entregadores chamam atenção para a falta de vacina e taxas de pagamento cada vez menores

  • Metroviarios também fazem ato em homenagem às vítimas da Covid e planejam greve

Professores das redes pública e privada de São Paulo se reuniram para protestar contra o retorno presencial das aulas em meio a pandemia do coronavírus, nesta sexta-feira (16), em frente ao estádio do Pacaembu. De acordo com os organizadores, o ato uniu forças com a greve dos entregadores de app. 

Os educadores seguem em greve pelo "ensino remoto de qualidade" que, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), acontece desde fevereiro de 2021. Os profissionais, no entanto, seguem trabalhando normalmente de forma remota.

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A categoria dos entregadores, por sua vez, cobrava melhores taxas e condições de trabalho, fim dos bloqueios indevidos na plataforma, código de liberação para finalização do pedido. Além disso, os motoboys pediam pela vacinação contra a Covid-19 — a imunização dos professores começou no último dia 12.

“Não há condições para um retorno seguro. As escolas não apresentam a mínima infraestrutura. Recebemos a todo momento fotos e vídeos de professores mostrando banheiros quebrados, lixo acumulado, goteiras, álcool em gel vencido. E tudo isso já está causando consequências graves”, disse Isabel Noronha, presidente da entidade, em fevereiro deste ano.

De acordo com os organizadores, com o aumento de casos da Covid, com o estado registrando por diversas vezes nas últimas semanas mais de 1.000 mortes por dia, o discurso ainda não mudou.

"Todos lutando pela imunização geral com cronograma adequado para trabalhar dignamente e pelo retorno seguro às escolas", diz trecho do comunicado convocando a greve.

Nesta sexta-feira (16), o governo de São Paulo anunciou mais flexibilizações nas medidas restritivas no combate à Covid-19. A nova fase começa a valer no próximo domingo (18).

Nesta nova etapa, chamada de "fase de transição", que é um passo entre a vermelha e a laranja, serão duas semanas com retorno gradual das atividades econômicas no estado. O toque de recolher, no entanto, continuará valendo, entre 20h e 5h.

Foto: Divulgação)
Desde o ano passado, os entregadores chamam atenção para o problema, com manifestações no país todos. Segundo os organizadores, as taxas de pagamento dos motoboys estão cada vez menores. (Foto: Divulgação)

Taxas cada vez menores

Desde o ano passado, os entregadores chamam atenção para o problema, com manifestações no país todos. Segundo os organizadores, as taxas de pagamento dos motoboys estão cada vez menores.

Em meio à pandemia, um decreto presidencial classificou os serviços de entrega como atividade essencial para fins de enfrentamento da disseminação do vírus. No entanto, há uma série entregadores que denunciam a insuficiência de equipamentos de segurança pessoal, como máscaras e álcool em gel.

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"Estamos em luta por direitos básicos como saúde, educação, alimentação e trabalho digno, que nossos governos não garantem. Os aplicativos de entrega exploram seus trabalhadores sem garantias trabalhistas e sanitárias", diz trecho do comunidado dos organizadores do ato.

"Breque" em shoppings e restaurantes

Após a concentração em frente ao estádio do Pacaembu, na região central da cidade, os motoqueiros seguiram pela Avenida Marginal Tietê, umas da principais de São Paulo por interligar as regiões oeste, norte, central e leste da cidade.

Os professores que acompanharam os motoboys seguiram de carro. "Não esqueça a máscara e o álcool gel; prepare faixas e cartazes; permaneça no carro com no máximo 2 pessoas; e preste atenção nas coordenadas de trânsito enviadas nos grupos de organização", orienta a organização no comunicado disparado nos grupos de WhatsApp.

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Nas redes sociais, é possível ver os vídeos da paralisação dos apps. No perfil "Treta no Trampo", que divulga informações sobre a categoria dos entregadores, organizadores afirmam que ainda hoje, às 18h, está programado um "breque" nos deliverys dos shoppings e restaurantesda cidade. 

"As pautas eram diferentes, mas os professores resolveram se unir a concentração dos motoboys, que já tava marcada antes, para somar forças e também para dar apoio", afirma um dos administradores do perfil.

Luto pelas vítimas da Covid-19

Também nesta sexta, os metroviarios de São Paulo estão realizando diversas atividades em respeito e memória às vítimas da Covid-19. Além disso, a categoria também cobra a inclusão no plano de vacinação.

Segundo o sindicato da categoria, os trabalhadores estão "denunciando a responsabilidade do governo no combate a pandemia e pela garantia de vacina para todos".

Durante todo o dia, foi registrado:

  • Atos com distribuição de carta aberta nas estações Jabaquara, Itaquera e Vila Prudente a partir das 6h da manhã

  • Retirada de uniforme na operação durante todo o dia e uso de adesivo

Vestindo roupas pretas e adesivos com os dizeres "luto" e "dia de luta", os funcionários cobravam um lockdown no estado, com o fechamento das atividades para conter o vírus.

Segundo o sindicato da categoria, os trabalhadores estão
Segundo o sindicato da categoria, os trabalhadores estão "denunciando a responsabilidade do governo no combate a pandemia e pela garantia de vacina para todos" (Foto: Divulgação)

Greve sanitária pode acontecer na semana que vem

Os metroviários de São Paulo aprovaram uma “greve sanitária” para o dia 20 de abril de 2021. De acordo com comunicado da categoria, a principal reivindicação é o cronograma de vacinação contra a Covid-19 para os funcionários e funcionárias do Metrô.

"O governo Doria e a direção do Metrô ignoraram o Plano de Emergência apresentado pelo Sindicato e não vacinaram os metroviários, embora sejam trabalhadores essenciais", diz trecho do documento, divulgado nesta quarta-feira (7), após decisão tomada em assembléia on-line.

Segundo a entidade, uma nova assembléia será feiat no dia 19 de abril para definir se os metroviarios realmente entrarão em greve.