Professores e parlamentares pedem para que estudantes não boicotem o Enem neste domingo

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RIO — Após repercussão das denúncias de servidores do Inep referentes ao assédio institucional sofrido e às interferências do governo no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estudantes afirmam nas redes sociais que irão boicotar a prova, que acontece neste domingo e no próximo. Eles apontam que se sentem psicologicamente despreparados e com medo do teor das questões que encontrarão na prova. Professores de universidades públicas e parlamentares, no entanto, pedem para que os alunos não deixem de comparecer e dar o seu melhor no vestibular.

Em uma publicação no Twitter, uma mãe escreveu que o filho de 18 anos se recusa a fazer o exame após os escândalos envolvendo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia ligada ao Ministério da Educação e responsável pela realização do Enem. Com o mesmo pensamento, uma jovem compartilhou que irá mal na prova não por falta de conhecimento, mas para boicotar o governo.

Em resposta aos estudantes que desejam faltar ao Enem ou ir tirar uma nota baixa de forma proposital, Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp) e dirigente da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, divulgou em suas redes que ao desistirem da prova, estarão atentando contra a democratização da universidade pública.

— Ao desistir do #Enem2021, vocês desistirão de um exame que distribuirá vagas em universidades públicas de qualidade. Quem é de escola pública desistirá das cotas. O bolsonarismo deseja isso: que vocês desistam. Façam a prova. A vitória de vocês é a melhor resposta — escreveu, reforçando que durante esta semana cobrou posicionamento do governo federal em relação aos “demandos no Inep”. — Deixem o controle social e a briga conosco. A prova vai acontecer, ela está calibrada. Ninguém conhece a prova. Mas ela é científica e, provavelmente, desagradará Bolsonaro — concluiu.

A também professora da Feusp, Hélida Lança, replicou a opinião de Daniel. Ela, que denunciou, nesta sexta, que foi exigida a retirada de duas professoras da listagem original de aplicadores da prova, para darem lugar a dois policiais, disse que “toda essa turbulência também é uma estratégia para que os jovens desanimem e acabem desistindo”.

— As vagas na universidade pública devem ser ocupadas. Toda essa turbulência também é uma estratégia para que os jovens desanimem e acabem desistindo. Está bacana o ENEM? Não. Vamos desistir em razão disso? TAMBÉM NÃO — tuitou.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede Sustentabilidade) fez coro contra o boicote dos estudantes. Segundo ele, parlamentares estão “na luta para garantir a lisura desse processo”.

— Aos nossos estudantes que irão fazer o Enem, um apelo: NÃO DESISTAM! Estamos na luta para garantir a lisura desse processo. Cobrando, fiscalizando, fazendo tudo para garantir a não interferência nas provas. Não desistam! Precisamos de vocês. Deixem a luta conosco! — publicou.

Além da exoneração de mais de 30 servidores do Inep e afirmações do presidente Jair Bolsonaro de que as questões do Enem começam agora a ter a cara do governo', a Associação dos Servidores do Inep (Assinep) acusou, na sexta-feira, o governo de "censurar" a publicação de um artigo científico que mostrava a evolução nos indicadores de alfabetismo no país em função do Pnaic (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), um programa do primeiro mandato do governo Dilma Rousseff que custou mais de R$ 2,7 bilhões aos cofres públicos. Procurada, a presidência da autarquia ainda não se pronunciou sobre as denúncias de parte dos seus servidores.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) também saiu em defesa do exame e afirmou que o “o uso político da educação chegou a um grau inaceitável e coloca sob suspeita a realização do Enem”. Na sexta-feira, ela havia confirmado que o Tribunal de Contas da União (TCU) começaria a investigar as denúncias de servidores e funcionários do Inep. Apesar de ainda estar sendo apurado as supostas interferências na prova, o ministro do TCU, Walton Alencar, negou o pedido para afastar do cargo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Danilo Dupas.

Provas serão enviadas aos locais de aplicação neste domingo

Todos os 1.747 municípios brasileiros que participam da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo, já receberam as provas. O envio para os 11 mil locais de prova ocorrerá amanhã.

No primeiro dia os candidatos farão a prova de linguagens, códigos e suas tecnologias, ciências humanas e suas tecnologias e a redação. Já no dia 28 serão aplicados os testes de ciências da natureza e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias.

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