Professores de faculdades particulares de SP aprovam greve

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 23.05.2018 - Última greve de professores da rede particular foi em 2018, mas só teve paralisação de docentes da educação básica. (Foto: Marina Estarque/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 23.05.2018 - Última greve de professores da rede particular foi em 2018, mas só teve paralisação de docentes da educação básica. (Foto: Marina Estarque/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Professores de faculdades particulares de São Paulo aprovaram greve a partir de 5 de setembro. Desde março em negociação salarial, eles reivindicam um reajuste pela inflação dos últimos doze meses.

Segundo a Fepesp (Federação dos Professores do Estado de São Paulo), a greve foi aprovada por 25 sindicatos de docentes do estado. Juntos, eles representam 80 mil professores e funcionários da área administrativa que atuam em 200 instituições de ensino da rede privada. Essas unidades atendem cerca de 2 milhões de alunos.

A categoria reivindica o reajuste salarial em 10,57%, que seria a reposição da inflação dos últimos 12 meses até a data-base de 1º de março. Os mantenedores de faculdades privadas, no entanto, alegam dificuldades financeiras.

Até agora, a proposta patronal foi de reajuste de 7% a partir de setembro, ou seja, os professores perderiam a reposição de seis meses.

Celso Napolitano, presidente da Fepesp, diz que os professores decidiram pela greve depois de as faculdades travarem a negociação. Segundo ele, na última rodada de negociação, em 24 de agosto, o sindicato patronal não apresentou nenhuma contraproposta.

"A greve é responsabilidade patronal. Negociamos há seis meses e eles se mantêm inflexíveis em não reconhecer a defasagem inflacionária", diz Napolitano. Ele também defende que os professores comunicaram sobre a greve com antecedência para que os patrões pudessem oferecer uma proposta que evite a paralisação das aulas.

Os professores também pedem para que sejam discutidas as condições de trabalho após a pandemia. Eles relatam que muitas faculdades aproveitaram a experiência com o ensino remoto para ampliar a oferta de aulas a distância em cursos presenciais --o Ministério da Educação permite que até 40% da grade curricular da maioria das graduações seja de forma remota.

Com o aumento de disciplinas remotas, os professores relatam viver um processo de "enturmamento", ou seja, aulas, que antes davam para 50 ou 60 alunos de forma presencial, agora são ministradas de forma online para até 300 estudantes de uma única vez.

Em nota, o Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior) disse que deseja manter a negociação salarial e que a greve "não contribui para a obtenção de um acordo".

O sindicato também destacou que o setor sofreu "severos impactos com a grave crise econômica do país".