Profissionais da educação municipal decidem entrar em 'greve pela vida', contra retorno de aulas presenciais

André Coelho
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Brenno Carvalho em 6-7-2020 / Agência O Globo
Brenno Carvalho em 6-7-2020 / Agência O Globo

Em assembleia virtual realizada nesta terça-feira (10), os profissionais de escolas municipais da cidade do Rio decidiram iniciar uma greve contra o retorno das atividades presenciais. A volta às aulas havia sido anunciada pela prefeitura na semana passada, e aconteceria a partir desta semana. A chamada “Greve pela Vida” prevê a continuidade de atividades remotas.

A decisão foi tomada por 73% dos 883 participantes da assembleia promovida pelo Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe). Eles decidiram que os profissionais convocados para atividades presenciais não retornarão às escolas como queria a prefeitura. Outros 19% dos participantes votaram ainda pela suspensão total das atividades, incluindo as remotas.

Coordenadora-geral do Sepe, Isabel Costa criticou a decisão da prefeitura, e afirmou que falta estrutura nas escolas para o retorno presencial.

— Os profissionais da educação reafirmaram seu compromisso com a comunidade, estamos mantendo todas as atividades remotas, online ou impressa, com nossos estudantes — afirmou — Nós queremos trabalhar, e trabalhamos duro ao longo dos últimos meses, mas estamos aqui para preservar nossa saúde e nossa vida, além da saúde da comunidade escolar.

Na próxima quinta-feira (12), o Sepe realizará uma nova reunião virtual que contará com a participação de profissionais de educação da rede municipal, responsáveis e demais integrantes das comunidades escolares, a partir das 18h. A plenária tem o objetivo de discutir os problemas enfrentados nas escolas ao longo do ano de 2020.

Retorno começaria pelo 9º ano

Anunciado pelo prefeito Marcelo Crivella no início do mês, durante a divulgação do chamado "período conservador", o último estágio de flexibilização do município em meio à pandemia de Covid-19, as aulas presenciais começariam pelo 9º ano do ensino fundamental.

De acordo com Crivella, cada instituição deveria tomar a decisão de retomar ou não as atividades após reunião do conselho de pais com os professores e diretores, onde será definido se a escola preenche os pré-requisitos para garantir maior segurança para alunos e profissionais.

Antes da assembleia, a secretaria municipal de educação afirmou, por meio de nota que o retorno presencial é exclusivo para os alunos que estão no último ano do ensino fundamental, e que todas as unidades estão em condições de receber aulas:

"Por determinação do Comitê Científico da Prefeitura do Rio, as aulas presenciais nas escolas municipais foram autorizadas. Cabe ressaltar que as demais redes já tinham retomado ao modo presencial, tanto as privadas quanto as estaduais. Serão seguidos os protocolos da Vigilância Sanitária que vão garantir a proteção da comunidade escolar.

Estão sendo tomadas as providências necessárias como: divisão da turma, espaçamento entre as carteiras, disponibilização de máscara, álcool em gel e demais indicações da Vigilância Sanitária. A SME segue as orientações do Poder Executivo, do Comitê Científico Municipal e tem como prioridades o atendimento ao aluno, a continuidade do processo de aprendizagem, as solicitações de pais e responsáveis pelos estudantes da Rede Municipal de Ensino, os cuidados sanitários exigidos pela pandemia", alegou a pasta.